Recôncavo discute cooperações voltadas às políticas de igualdade racial

18/08/2021
A realização do projeto Sepromi Itinerante nesta terça-feira (17), em formato virtual, agregou uma série de entidades do poder público, setores empresariais e da sociedade civil, organismos de cooperação, universidades, dentre outras representações. Mais de 100 lideranças participaram do evento, que teve como objetivo ampliar as discussões e o alcance das políticas destinadas à população negra, aos povos e comunidades tradicionais nos municípios.

Um total de 12 municípios do território já integra o Fórum de Gestores Municipais de Promoção da Igualdade Racial, o que representa 63% dos participantes do Recôncavo no colegiado. A perspectiva é avançar nas discussões com a elaboração de um plano territorial para execução de ações nesta área.

A secretária estadual de Promoção da Igualdade Racial, Fabya Reis, destacou que ampliar os diálogos e ações cooperadas é o caminho viável para efetivar políticas de reparação em cada município. “Este encontro é fundamental, pois nosso caminho é desafiador, temos muito a fazer. Os planos territoriais são fundamentais para efetivarmos políticas afirmativas junto à população negra de casa município”, pontuou.

O prefeito de Santo Antônio de Jesus, Genival Deolino, destacou iniciativas já em curso no âmbito local. “Como primeiro prefeito negro desta cidade entendo que promover a igualdade racial é importante e estratégico para a gestão. Caminhamos para a regulamentação do nosso Estatuto da Igualdade Racial do município, caminhado no caminho do combate às desigualdades. Este encontro é essencial para subsidiar nosso trabalho”, ressaltou.

Ampliar o debate e construção coletiva

O presidente da Câmara Municipal de Cruz Almas, o vereador Thiago Chagas, lembrou que é imprescindível convocar o maior número possível de instâncias nesta tarefa. “Precisamos estabelecer o diálogo com todos os setores da sociedade e avançar com as políticas públicas”, disse. Já o taata Raimundo Konmannanjy, que representa as lideranças de terreiros no Conselho Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais (CESPCT), destacou a importância de territorializar os debates, incluindo os segmentos tradicionais nos debates e construções de políticas.

“São inúmeros os desafios que temos para dar sequência e avançar na garantia de direitos com recortes raciais no nosso país. A Sepromi está de parabéns por esta mobilização e discussão”, reforçou o coordenador do escritório de projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Leonel Neto, ressaltando a ampla trajetória do organismo. “Temos uma experiência larga na articulação dos objetivos de desenvolvimento sustentável. Na Bahia estamos presentes desde 2005. Vamos encontrar caminhos e projetos conjuntos com a Sepromi para consolidar políticas públicas. Precisamos ampliar a percepção sobre a importância destas políticas”.

As contribuições acadêmicas para as políticas de promoção da igualdade racial no território foram destacadas pelo reitor da Universidade Federal do Recôncavo Baiano, (UFRB), Fábio Josué Santos. “A inclusão social e racial é a marca da UFRB, universidade que acolhe segmentos historicamente excluídos das universidades. Contribuímos na formação de quadros técnicos nas mais diversas áreas. Dentre os nossos cursos, por exemplo, temos mestrado em Saúde da População Negra e Indígena, mestrado em História Africana e Indígena, assim como o mestrado em Educação no Campo. Isso possibilita aos povos e comunidades tradicionais a oportunidade de acessar a universidade numa profícua relação com comunidades”, afirmou.