Lavagem da Estátua de Zumbi abre Dia Nacional da Consciência Negra

08/09/2015
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As comemorações do Dia Nacional da Consciência Negra – 20 de novembro – começaram cedo em Salvador. Pela manhã, diversas entidades ligadas ao movimento negro se reuniram na Praça da Sé, onde participaram da 6ª Lavagem da Estátua de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da luta contra a escravidão no Brasil.

Baianas, devidamente trajadas, portando vassouras e água de cheiro, lavaram o monumento. O ato simboliza a renovação do combate à discriminação racial e a busca pela igualdade.

“São atividades de resistência. A luta que Zumbi emplacou, há séculos, de manter uma identidade, a gente aqui retoma. Estamos todos os dias reafirmando nossos ícones negros. Hoje é uma renovação dessa luta”, explica Cristiano Lima, que faz parte da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen).

Mais do que uma data histórica, o 20 de novembro serve como incentivo à autoestima e a redescoberta do orgulho negro. Para a baiana de acarajé, Eunice Menezes Oliveira, 77 anos, é uma honra participar das comemorações e alertas feitos nesse dia. “Venho todo ano fazer parte. É uma alegria imensa. Me sinto feliz, forte e honrada. É um privilégio”.

Em 2014, as comemorações, intensificadas com a programação do ‘Novembro Negro’ e reforçadas no dia 20, ressaltaram, entre os vários temas ligados à negritude, o enfrentamento ao extermínio da juventude afrodescendente.

“Essa é mais uma data para dizer não ao genocídio da população negra. Não queremos também o machismo, a homofobia e nenhum tipo de opressão que a sociedade capitalista reproduz. Estamos combatendo as exclusões sociais. Precisamos desconstruir o racismo, e essa luta não deve ser só dos negros, tem que ser de toda a sociedade. Para o Brasil se libertar verdadeiramente, precisa olhar pelos seus filhos”, afirma a presidente estadual da União de Negros Pela Igualdade (Unegro), Sirlene Assis.

Baianos e turistas

Com muita música, a 6ª Lavagem da Estátua de Zumbi atraiu baianos e turistas. Eles fotografaram, filmaram e aplaudiram a cerimônia. Para a psicóloga Aline Pessoa, valeu a pena viajar de Brasília a Salvador só para participar das comemorações. “Gosto muito da cultura negra, a minha religião é o Candomblé. Então, o meu respeito por Zumbi dos Palmares é muito grande. Esta é uma celebração [que] tem todo ano e eu queria conhecer. Estou achando tudo lindo”.

Antes mesmo do grande momento da lavagem, as comemorações já estavam a todo vapor no Centro Histórico de Salvador. Puxadas pela percussão da banda Tambores de Búzios, integrada por negros, membros da Associação das Baianas de Acarajé (Abam) realizaram um cortejo que passou pelo Terreiro de Jesus até chegar à Praça da Sé. O ritual atraiu os olhares da multidão, que foi banhada com água de cheiro e pôde se divertir no batuque envolvente da banda.

Texto: Secom

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