Estudantes da rede pública do Nordeste de Amaralina, em Salvador, tiveram a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a luta do povo negro e mecanismos de enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa nesta terça (17), durante encontro no Centro Social Urbano (CSU) do bairro.
Participaram da atividade, que integra a programação do Novembro Negro, os representantes da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), respectivamente, Cristiano Lima, também coordenador estadual do Plano Juventude Viva, e Dandara Pinho.
A jovem Brenda Vasconcelos, do programa Universidade para Todos, considerou a iniciativa importante por “proporcionar maior conhecimento do que está ocorrendo em nossa sociedade, bem como dos nossos direitos e deveres, para continuar na luta”. Também sabe agora, com a realização do evento, diferenciar o racismo da injúria social.
“O racismo é toda ofensa direcionada a determinado grupo, seja por sua etnia ou religiosidade, enquanto a injúria racial atinge a uma pessoa, sendo o primeiro mais danoso por ser inafiançável (não pode pagar fiança para responder o processo em liberdade) e imprescritível (o boletim de ocorrência pode ser prestado a qualquer momento)”, explicou Dandara Pinho.
A advogada falou, ainda, do respeito à diversidade religiosa, destacando a liberdade de escolha da crença, garantida no Estatuto da Criança e do Adolescente, independente da convicção dos familiares. O evento integra a programação do Novembro Negro, como parte do projeto "Caravana da Igualdade/Diálogos Formativos", resultado de parceria da Sepromi e da Secretaria da Educação (SEC).
Enfrentamento ao Racismo
Na oportunidade, o representante da Sepromi, Cristiano Lima, apresentou o Estatuto da Igualdade Racial e de Combate à Intolerância Religiosa, no qual podem ser conferidos os direitos dos estudantes de religiões afro-brasileiras, como compensar ausência da aula na necessidade de atividade religiosa.
Também informou os serviços oferecidos pelo Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, localizado na Avenida Sete de Setembro, em Salvador. “O equipamento conta com uma equipe especializada, nas áreas de Direito, Psicologia e Assistência Social, para atender vítimas de casos relacionados e dar condições ao andamento do processo”.
Antes, falou do importante papel das mulheres negras no desenvolvimento da sociedade, “que já trabalhavam fora das senzalas, com a venda de quitutes, para comprar a alforria dos demais”, ensinando aos presentes que ter “consciência negra é saber quem você é, da onde vem e o que faz”.
Novembro Negro
O fechamento das atividades do Novembro Negro no CSU será no dia 27 deste mês, a partir das 14h, com palestra sobre políticas públicas de saúde voltadas a população negra. A programação inclui ainda oficina de turbantes, capoeira, declamação de poesia, dança e feira de artesanato, conforme anunciou a coordenadora da unidade, Andreia Macedo. “Esta edição tem como tema ‘Black In, porque o negro precisa estar empoderado dentro do processo, ocupando os diversos espaços”, explicou.
Carana da Igualdade
A formação está sendo realizada nos 27 Núcleos Regionais de Educação (NRE), mais voltada para professores e técnicos da área, com o objetivo de minimizar as práticas discriminatórias, sexistas e homofóbicas no cotidiano das unidades escolares estaduais. Hoje (17) o encontro está sendo realizado em Santa Maria da Vitória, no Oeste do Estado, com Érica Capinan (SEC) e Cláudio Rodrigues (Sepromi). O destaque no município é para as diretrizes da educação quilombola