Festa da Irmandade da Boa Morte destaca fé e protagonismo das mulheres negras

01/09/2015

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Dois séculos de tradição, fé e resistência foram celebrados na Festa da Irmandade da Boa Morte, neste sábado (15), no município de Cachoeira, no Recôncavo baiano. Religiosos de matriz africana, católicos, ativistas do movimento negro, turistas do Brasil e do exterior acompanharam a programação, que incluiu alvorada de fogos, missa solene, procissão, além de manifestações culturais. A titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, juntamente com o secretário de Cultura, Jorge Portugal, participaram das atividades, que prosseguem até a próxima segunda-feira (17).

A Festa da Irmandade da Boa Morte é Patrimônio Imaterial da Bahia desde 2010 e tem forte influência da cultura africana. A organização religiosa, inclusive, é formada por um seleto grupo de mulheres descendentes de escravas ou intimamente ligadas à manutenção da devoção. Rosy Mary Santos, 52 anos, é uma das mais novas integrantes que, agora na condição de noviça, afirmou estar ainda mais disposta a trabalhar pela continuidade da secular expressão de fé. Para ela, a Irmandade representa “a tradição e a resistência das mulheres negras” historicamente colocadas em condição de opressão e que hoje protagonizam este momento.

Na opinião da titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, a perseverança das mulheres negras é, de fato, a referência maior observada no perfil das integrantes da Boa Morte. Além disso, de acordo com a gestora, as celebrações são uma oportunidade de reflexão sobre a importância da construção de uma sociedade que respeite a diversidade racial e religiosa no país, elemento que faz das relações humanas um “ambiente verdadeiramente rico e agregador”.

Para Dom Zanoni Demettino Castro, bispo referencial da Pastoral Afro-Brasileira, a mensagem que fica a partir das celebrações da Boa Morte é sobre a necessidade de justiça e igualdade racial, considerando, inclusive, o recente lançamento da Década Internacional Afrodescendente (2014-2024). “Vivemos hoje, sem dúvidas, um ponto alto deste decênio declarado pelas Organizações das Nações Unidades. É uma oportunidade muito rica para defender e promover os direitos dos povos. Somos descendentes deste mesmo povo que foi arrancado de uma terra [África] e trazido como população escrava para o nosso continente. É o povo que constituiu as raízes da identidade dos brasileiros, afirmou.

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