Mulher negra é tema de cine-debate no Centro de Referência Nelson Mandela

04/09/2015
SAMSUNG CAMERA PICTURES
















O filme “A Vida Secreta das Abelhas”, dirigido por Gina Prince-Bythewood, foi exibido gratuitamente nesta sexta-feira (6), no Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, em Salvador, para promover o debate a respeito da mulher negra na sociedade.

A obra se passa na América do Norte racista dos anos 60, com a história de uma adolescente atormentada pelo desamor do pai e pelas poucas lembranças da mãe, que morreu por sua causa. Em busca desta memória, a garota foge de casa e acaba conhecendo uma família de negras apicultoras respeitadas e independentes.

A cena que mais chamou a atenção de Gisele Estrela, 30 anos, foi quando homens impediram uma das personagens de tirar o título de eleitor e ela revida, explicando depois que pedir desculpas seria como morrer, preferindo então se afirmar enquanto mulher negra e lutar por seus direitos civis.

Já Maria Domingos de Jesus, 32 anos, destacou a frase “Às vezes, não sentir é o único jeito de sobreviver”, citada no momento em que a apicultora principal compara abelhas aos humanos. Ela também parabenizou pela iniciativa e disse que o Centro precisa continuar indo além do atendimento às vitimas de racismo, “promovendo discussões sobre temas relacionados”.

O cine-debate integra o projeto “Sextas Negras”, por meio do qual são realizadas diversas atividades voltadas para a valorização da cultura negra e o combate ao racismo e à intolerância religiosa. Segundo o novo coordenador da unidade, que é vinculada à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Walmir França, a ação terá continuidade.

“É interessante que não apenas no mês de março, mas durante todo o ano, a gente tenha condições de discutir assuntos inerentes ao gênero e estratégias para minimizar o racismo”, disse França, ressaltando ainda o papel do segmento na história. “A mulher negra é a mãe de todos nós, discriminada várias vezes durante sua vida, com conquistas a base de muita luta”, concluiu.

Diversidade - Com a apresentação do vídeo, foi possível ainda abordar questões referentes à família, racismo e saúde mental,violência doméstica, religiosidade, poder, abandono, sentimentos, resistência, diálogo, identidade, entre outros assuntos levantados pelos participantes e profissionais do Centro, que fomentaram a discussão.