A animação infantil “Guilhermina e Candelário”, que busca a valorização da história e cultura negra, foi lançada nesta segunda-feira (12), na sede do Ilê Aiyê, no Curuzu, atraindo pessoas de todas as idades. A professora Tatiana Lopes levou sua filha de quatro anos para assistir o desenho, que considerou “emocionante, não apenas por permitir que as crianças negras se enxerguem na televisão, mas aprendam a ajudar em casa e respeitar os mais velhos”, como foi ensinado no primeiro episódio.
O representante do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Ronaldo Barros, explicou, durante a atividade, que a série faz parte de um conjunto de ações para “reverter as representações negativas da população afrodescendente”. A animação, ainda segundo ele, reconhece “questões fundamentais como ecologia e boa relação com a família, refletindo as práticas de matriz africana, além de possibilitar que a criança se identifique e construa novo processo civilizatório, no qual o crime de ódio não tenha mais espaço”.
Já a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, destacou a importância da iniciativa para “a afirmação da identidade, o resgate da autoestima e a reverberação da cultura negra”. O Vovô do Ilê, presidente do bloco afro que abriu as portas para a realização do evento, também falou da contribuição da animação no “combate ao racismo e demais formas de discriminação”.
Programação – A partir de hoje (12), o desenho será exibido diariamente na TVE Bahia (canal 2), às 9h45 e 13h. A animação colombiana foi produzida em 2012 pela Fosfenos Media e Señal Combia, sendo traduzida para o português e lançada nacionalmente em Brasília e Salvador. Nos próximos dias 19 e 23 será a vez de São Paulo e São Luis, respectivamente, encerrando o ciclo nas capitais programadas, conforme anunciado pela representante da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Sahada Luedy.
O diretor-geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), José Araripe Júnior, disse que a animação “dá voz à família negra, algo raro na TV, e também informou que está sob análise a produção de uma novela negra brasileira”. Também estiveram presentes o coordenador do Plano Juventude Viva na Bahia, Cristiano Lima, e a coordenadora do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) em Salvador, Helena Oliveira, ressaltando que o “imaginário da criança e do adolescente é forjado no contexto de desenvolvimento social, cultural e relacional; quanto mais identificada se sentir nesse ambiente, melhor”.
Parcerias - A aquisição da série se alinha à adesão da EBC ao programa de Pró-Equidade de Gênero e Raça, uma vez que cumpre o papel de colocar em tela personagens negros, especialmente para o público infantil, que dificilmente conta com produções deste tipo. “Guilhermina e Candelário” conta com eventos de lançamento apoiados pelo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, pelo Governo do Distrito Federal (SEMIDH e SECULT), pela Prefeitura de São Paulo (SMPIR), pelo Governo da Bahia (SEC-IRDEB/SECULT/SEPROMI) e pelo Governo do Maranhão (SEPIR).