Serviço de combate ao racismo na Micareta termina com saldo positivo

02/05/2016
Os quatro dias de ações de combate ao racismo na Micareta de Feira de Santana, a 108 km de Salvador, foram considerados positivos. A festa, encerrada neste domingo (1º), contou com o Observatório da Discriminação Racial, instalado em ponto estratégico no circuito Meneca Ferreira, onde foi oferecida uma equipe especializada para atendimento a denúncias e orientações aos foliões. Além disso, as ações incluíram abordagens nas ruas para diagnóstico do perfil do público e levantamento das situações de violação de direitos no campo étnico-racial e religioso.

Para as ações, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) articulou a participação da Rede de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa da Bahia. “O trabalho foi proveitoso, inclusive com ampliação das parcerias e da divulgação do serviço. Com ações deste tipo fortalecemos a política de promoção da igualdade racial”, afirmou o coordenador da Sepromi, Antônio Cosme Lima.

Já o coordenador do Centro de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, Walmir França, destacou a participação do órgão, informando que a iniciativa faz parte da agenda itinerante do equipamento social. “Além disso, temos cerca de 240 casos recepcionados, relativos a violências nestas áreas. O nosso espaço está aberto ao movimento negro e realiza seminários, fóruns, dentre outras atividades de formação”, explicou, em entrevista à emissora de rádio local.

Ampliação - O chefe de divisão da Divisão de Promoção da Igualdade Racial do município, Geovanny Ferreira, falou que a experiência desenvolvida na Micareta será potencializada. “Tivemos um trabalho exitoso. Esta foi uma ação pontual deste período de festa, mas pretendemos continuar, durante o ano, atuando na articulação de políticas de enfrentamento ao racismo”, ressaltou o dirigente do organismo governamental, que é vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedeso).

Parceria - Para o Ouvidor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Marconi Sena, um dos principais avanços foi o diálogo junto à população que participou da Micareta. “Desta forma, os foliões passam a conhecer o serviço, ficando cientes de que existe uma estrutura para atendê-los, em caso de necessidades”, afirmou.
A presidente da Comissão de Diversidade Sexual e Combate à Homofobia da OAB de Feira de Santana, Manuela Menezes, considera positiva a parceria estabelecida entre os diversos órgãos. “Aqui cumprimos o papel de ajudar a proporcionar Justiça à população. É uma oportunidade de trabalhar a conscientização do público sobre seus direitos e as garantias fundamentais”, pontuou.

Representando o conselho municipal das Comunidades Negras e Indígenas (COMDECINI), Lourdes Santana disse que os serviços oferecidos durante a festa comprovam que é fundamental manter a vigilância para as ocorrências de violações de direito. “Foi mais uma experiência importante para percebermos as intolerâncias praticadas contra o povo negro. É fundamental combater o racismo, a homofobia e a discriminação religiosa dentro da Micareta de Feira, pontuou.

Articulação - Outras organizações participaram dos serviços na Micareta de Feira, a exemplo do Conselho Municipal da Juventude, a Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Bahia), a Secretaria Estadual da Educação (SEC), além da Pró-Reitoria de Políticas Afirmativas e Assuntos Estudantis (PROPAAE) da UEFS. Neste domingo, o Observatório da Discriminação Racial recebeu a visita do defensor público geral da Bahia, Clériston Macêdo, que reafirmou o compromisso da Defensoria Pública do Estado (DPE) para monitoramento e os encaminhamentos dos casos de racismo e violências relacionadas.