Sepromi discute casos de intolerância religiosa com povos de terreiros

03/09/2015

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Representantes de povos de terreiros e do movimento negro foram ao Ministério Público de Camaçari, nesta quarta-feira (10), para discutir casos de intolerância religiosa ocorridos no município. As lideranças foram recebidas pela promotora Thiara Bezerra, em audiência que contou com a participação do coordenador do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, Walmir França. O grupo vai elaborar um documento com registros que auxiliem na apuração dos casos para protocolar no órgão judiciário, incluindo o de Mãe Dede de Iansã, do terreiro Oyá Denã, que morreu no início deste mês.

“As práticas de intolerância religiosa têm se tornado rotineiras em nosso município, por isso viemos requerer nossos direitos e saímos daqui confiantes de que a justiça vai ser mais atuante, investigativa e combater esse tipo de crime”, disse tata Ricardo Tavares. Segundo o coordenador de Promoção da Igualdade Racial da prefeitura local, João Borges, que acompanhou as lideranças e vítimas, também ficou acordado a organização de uma audiência pública sobre a temática.

Casos de intolerância religiosa em Camaçari estão sendo acompanhados pelo Centro de Referência Nelson Mandela, equipamento social vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial do Estado (Sepromi), que presta atendimento psicológico, social e jurídico a vítimas de casos de racismo e intolerância religiosa na Bahia.

Também participaram da atividade os representantes da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Taata Konmannanjy, da Federação Nacional do Culto Afro-Brasileiro (Fenacab), Pai Lázaro de Oxossi, da Prefeitura de Lauro de Freitas, Tina Tude, e da Comissão de Promoção da Igualdade da Assembleia Legislativa.

Também em Camaçari, a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, esteve reunida com membros do Coletivo de Entidades Negras (CEN), no terreiro de Lembá, no Parque Real Serra Verde, debatendo questões de intolerância religiosa e preservação da cultura e das tradições de matriz africana.