Programação do Novembro Negro inclui adolescentes em cumprimento de medida socieducativa

01/12/2016
Oficinas de teatro, conduzidas pelo diretor do grupo Alto Falante, Evaldo Maurício (Macarrão), mais de 40 adolescentes da Comunidade de Atendimento Socioeducativo (Case), no bairro de Tancredo Neves, reforçaram os ideais de respeito às diferenças, valorização da identidade e elevação da autoestima, nesta quinta-feira (1). Essa é a terceira atividade do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), órgão vinculado à Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), no Novembro Negro. Além da dinâmica, foram realizados diálogos sobre a temática racial com estudantes de escolas públicas e população em privação de liberdade.

Segundo o conselheiro Ednaldo Santana (Nadinho do Congo), representante do segmento de afoxés no CDCN, a ação tem o objetivo de aproximar o colegiado da comunidade. “Na medida em que conversamos com a população sobre suas demandas e levamos o conhecimento da nossa origem, referências e políticas públicas, fortalecemos a luta pela garantia de direitos e pelo combate ao preconceito, ao racismo e à intolerância religiosa”. Aos 15 anos, uma das internas demonstra esperança e disposição para contribuir. “Luto por um mundo melhor onde todos possam viver em igualdade, sem preconceito, porque merecemos respeito”, disse a adolescente.

Empoderamento

Para Macarrão, o teatro é uma linguagem pedagógica que “empodera, revela e potencializa”. Outra adolescente também aprovou a iniciativa. “Me ajudou a pensar em quem eu sou, o que quero, meus sonhos, e aonde posso chegar”, afirmou. Na oportunidade, o representante da Sepromi, Cristiano Lima, da Coordenação de Promoção da Igualdade Racial (CPIR), também abordou o Plano Juventude Viva, voltado para inclusão social dos jovens negros e enfrentamento à violência contra o segmento, entre outras ações relacionadas. As oficinas foram realizadas com as meninas, pela manhã, e com os meninos, na parte da tarde.

Atendimento Socieducativo

A Case Salvador é uma das unidades da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac). Os representantes da Gerência de Atendimento Socieducativo do órgão, Anativo Oliveira e Ana Clara Pedreira, destacaram a importância da parceria com a Sepromi e demais instituições do poder público e da sociedade civil para a formação, inclusão e preparação dos internos para o pós-cumprimento da medida de ressocialização pelos atos infracionais cometidos. “Devemos atuar em rede para um resultado eficaz. Essa atividade, em especial, contribui para mudança de comportamento diante das adversidades, com reflexões sobre etnia, raça e religiosidade”, falou Pedreira. Também participaram do encontro a assessora do CDCN, Ádile Reis, a pedagoga da Case, Patricia Souza, entre outros profissionais da comunidade.