A preservação da cultura entre o Brasil e a Nigéria

10/09/2015

 A chegada da Vossa Majestade Imperial, o Alaafin Oyo, Obá Lamidi Olayiwola Ladeyemi III,  a rainha e a sua comitiva, no dia 26 até o dia 31 de julho de 2014 na capital baiana,  um sentimento de ligação ainda mais forte entre a África e o Brasil.

A abertura do I Seminário Internacional para Preservação do Patrimônio Cultural Compartilhado Brasil-Nigéria realizado no Fórum Rui Barbosa, no dia 28 de julho de 2014, com a presença de autoridades públicas e religiosas demonstrou a necessidade de intercâmbio entre o Brasil e Nigéria na preservação da religiosidade, as formas e modos de fazer e a manutenção deste legado ancestral milenar.

O Alaafin de Oyó é o detentor da coroa e do culto ao Orixá Șangô, símbolo da justiça! Que os terreiros na Bahia cultuam com as suas formas peculiares sem perder a essência, que é o respeito, o compromisso, a obediência, a hierarquia, a educação de axé, dentre outros aspectos, que somente a religião do candomblé, sendo milenar consegue preservar.

A caminhada realizada a séculos pelos nossos ancestrais, que trouxeram no seu coração, na memória a sua identidade, o sentimento de pertencimento de um povo guerreiro, conhecedor dos segredos dos Voduns, N´kisi, Orixás, Egum e encantados.

Considero um momento de grande relevância para as autoridades religiosas dos terreiros de candomblé, que estão acompanhando as visitas nos 05 (cinco) terreiros na capital baiana iniciou no dia 29 e terminou no dia 31 de julho de 2014, que foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional – IPHAN: Ilé Àse Iyá Nassó Okà (Casa Branca),  Ilé Àse Opo Àfonjá, o Ilé Iyá Omi Àse Iyamassé (Terreiro do Gantois), o Ilé Maroialaji (Terreiro Alaketu) e o Ilé Osùmàré Arákà Àse Ogodó (Casa de Oxumarê). Esses terreiros visitados representam o legado ancestral deixado pelas negras e negros que construíram e formaram esta sociedade.

Considero um momento de celebração, pois compreendo que o axé que está sendo transmitido por xangô, está compartilhado por todos os terreiros na Bahia e também no Brasil, pois os ensinamentos aqui transmitidos por meio da oralidade por Vossa Majestade real, representam a continuidade do conhecimento tradicional que conseguimos preservar, apesar de todas as adversidades impostas naquele período, ressaltando que os elementos da natureza que é a essência do candomblé.

Que o orixá Șangô esteja sempre nos nossos terreiros e na nossa vida, Axé!

 

*Maurício Reis
Secretário Executivo
Comissão Estadual para a Sustentabilidade dos Povos e Comunidades Tradicionais – CESPCT