Cadeira de Jubiabá é devolvida ao terreiro Mokambo

28/10/2015

A cadeira do babalorixá Jubiabá foi devolvida, nesta quarta-feira (28), ao terreiro Mokambo, 95 anos após ser roubada pela polícia baiana e 78 anos da morte do religioso. O objeto sagrado estava guardado no Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), na Piedade, onde foi realizada a solenidade de entrega, e agora fará parte do memorial da casa de matriz africana.

Tata Anselmo Santos, do Mokambo e descendente direto de Jubiabá, disse que a vitória é do povo afrobrasileiro e que continuará na luta contra o racismo, o preconceito e todas as formas de discriminação. “A gente precisa dar as mãos. É na diferença que nos fortalecemos”, afirmou o sacerdote.

Também participaram do ato o presidente do IGHB, Eduardo Morais, e o assessor especial da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Ailton Ferreira, que reiterou o direito da liberdade religiosa ao lembrar que a cadeira foi apreendida no período de muita perseguição aos povos de terreiro.

Estiveram presentes, ainda, representantes da Secretaria da Segurança Pública (SSP), do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI) e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), vinculados à Secretaria de Cultura (Secult). Mais tarde, às 19h, acontecerá a entronização e sacralização da cadeira no Mokambo, situado na Vila 2 de Julho, no Trobogy.

Símbolo - O trono ou a cadeira de um babalorixá ou yalorixá se confunde com a de seu orixá. É considerado um símbolo máximo de poder no candomblé, diante do qual os filhos se prostram, em cumprimento e respeito. Um pai ou mãe de santo, quando é confirmado no cargo, isto é, entronizado, é sentado na cadeira, como o eram os reis e as rainhas. 

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