Dia da Baiana de Acarajé destaca resistência e empreendedorismo das mulheres negras

25/11/2015

O Centro Histórico de Salvador teve um dia de festa nesta quarta-feira (25), em comemoração ao Dia Nacional da Baiana de Acarajé. Animadas, elas iniciaram a programação na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, com missa solene celebrada pelo padre Lázaro Muniz, reunindo as titulares das secretarias de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), Vera Lúcia Barbosa, de Políticas para as Mulheres (SPM), Olívia Santana, além da diretora do Centro de Culturas Populares e Identitárias (CCPI/Secult), Arany Santana, dentre outras autoridades.

A secretária da Sepromi ressaltou o valor histórico e a “grande marca das mulheres negras” em atuação neste segmento. “Reverenciamos as baianas neste dia, em pleno ‘mês da consciência negra’, já que elas possuem o grande mérito pela manutenção de uma tradição importante, que faz parte da nossa cultura afro-brasileira”, afirmou. A gestora lembrou das ações da pasta voltadas para o setor, todas elas baseadas na Política de Empreendedorismo Negro e de Mulheres, implementada ano passado na Bahia, além de iniciativas recentes, a exemplo do ciclo de capacitações promovido por meio de parceria da Sepromi com o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercia (Senac).

Em 2012 as baianas do acarajé foram reconhecidas como Patrimônio Imaterial da Bahia e seu ofício entrou para o livro de Registro Especial dos Saberes e Modos de Fazer, consolidando uma tradição no estado. Antes, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) já havia reforçado a importância cultural dos saberes e fazeres tradicionais aplicados na produção e comercialização do alimento, integrando esta atividade ao Patrimônio Nacional.

Contexto histórico e relação com o sagrado - Originalmente o acarajé é uma comida ritual da orixá Iansã. O termo surgiu da junção de duas palavras: Akàrà, que significa “bola de fogo”, e “jé”, comer. Considerado uma comida sagrada pelas baianas, a receita não pode ser modificada e, inicialmente, deveria ser preparada apenas pelas filhas de santo de Iansã. De acordo com a Revista de História da Biblioteca Nacional, as primeiras baianas de acarajé foram africanas, escravas alforriadas, ainda na época do Brasil Colônia. A relação com a religiosidade era ainda mais forte, e a massa era feita no próprio terreiro, de onde a baiana saia com todas as obrigações a serem cumpridas a seu orixá.

Após a missa, as baianas seguiram em cortejo pelas ruas do Pelourinho, em direção à Praça da Cruz Caída, para uma tarde de variada programação cultural. A vice-presidente da Associação das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivos e Similares (Abam), Angelice Batista, afirmou que a data é motivo de grande celebração para o conjunto de mulheres que atua neste campo do mercado de trabalho, na busca da autonomia econômica e superação de vulnerabilidades. “Este ofício é uma ferramenta na luta contra a violência”, disse

Ativismo pelo fim da violência - Durante a atividade também foi lançada a campanha do 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher, mobilização mundial que se estende até o dia 10 de dezembro. Instituições do poder público e da sociedade civil atuam de forma conjunta neste período, discutindo e articulando iniciativas pelo empoderamento da população feminina e enfrentamento ao sexismo. Atualmente mais de 160 países participam do movimento, que no Brasil é antecipado, com primeiras movimentações acontecendo no dia 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra, destacando a dupla discriminação sofrida pela mulher negra.

Também participaram das atividades a deputada Luiza Maia, da Comissão dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa (ALBA), além da desembargadora Nágila Brito, que responde pela Coordenadoria da Mulher do Tribunal de Justiça (TJ-BA).