Seminário destaca protagonismo da sociedade civil no enfrentamento ao racismo

10/06/2016

Com expressiva participação de estudantes, pesquisadores, ativistas do movimento negro, segmentos de mulheres e de juventude, representações sindicais, irmandades e religiosos de matriz africana, dentre outros, foi aberto nesta quinta-feira (9), em Salvador, o seminário “A trajetória política da luta contra o racismo”. A atividade é fruto de parceria entre Governo do Estado e Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), tem entrada franca e oferece ampla programação de debates com especialistas sobre os temas.


Na abertura dos trabalhos, a titular da Sepromi, Vera Lúcia Barbosa, explicou que o evento integra a agenda da Década Internacional Afrodescendente na Bahia e pode ser compreendido como uma oportunidade de reconhecer as contribuições do movimento negro para o enfrentamento às desigualdades históricas. “E imprescindível trabalhar essa temática, sobretudo com o acúmulo e a trajetórica da sociedade civil, agregando os segmentos das mulheres negras e do povo de santo, por exemplo. São históricas de resistência e afirmação diária no país”, afirmou a secretária, no evento que também contou com presença de integrantes de conselhos de direito e de entidades do poder público.


O professor e militante do movimento negro, Hélio Santos, destacou a importância dos debates que abordam as lutas políticas na esfera racial, sobretudo porque “remetem à história, inspiram tomadas de decisão” e prospectam o futuro. “É pertinente falar da trajetória de combate ao racismo para que possamos consolidar políticas públicas novas e colocarmos uma posição contrária à regressão. Tivemos grandes conquistas e mudanças, ainda insuficientes, mas são avanços importantes provocados a partir do protagonismo do movimento negro”, disse o professor, responsável pela palestra magna da noite.


A representante do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), Rose Mafalda, disse que a luta é constante e sempre se renova “em prol da implementação de políticas direcionadas ao povo negro”. Já a ebomi Nice de Oyá, do segmento de populações tradicionais e integrante da Irmandade da Boa Morte, ressaltou a necessidade de fortalecimento da democracia e da luta antirracista no Brasil. “Somos um povo de raça, resistência e fé. Vamos levar esse enfrentamento adiante”, disse.


Para a promotora de Justiça Lívia Maria Santana Vaz a trajetória de luta do povo negro foi marcada pelo enfrentamento à indiferença do Estado e à ausência de atendimento às demandas sociais. “Uma história longa e tão escravista, como é no caso do nosso país, só poderia deixar marcas persistentes, como é o racismo, ainda nos dias de hoje. O mercado de trabalho, por exemplo, não absorveu o povo negro e Estado brasileiro mantém uma política de exclusão”, apontou.


Ainda de acordo com a promotora, é preciso articular iniciativas voltadas à reparação e ao desenvolvimento pleno da população negra. “Precisamos combater as práticas racistas, mas também trabalhar pela igualdade racial, de forma programada nas politicas públicas. A democracia racial precisa deixar de ser um 'mito' para tornar-se verdadeira 'meta' não apenas do povo negro, mas do Estado e de toda a sociedade como um todo”, completou.