Sepromi participou da 12ª Semana de Valorização do Trabalho Doméstico

10/05/2022
A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), através do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela, participou da 12ª Semana de Valorização do Trabalho Doméstico, realizada pela Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), com o objetivo de propagar melhores condições de trabalho para a categoria, incentivar e contribuir para a formalização da atividade através do registro profissional. Na quarta-feira (27) uma campanha foi lançada durante evento na unidade central do SineBahia, localizada no Terminal de Integração de Pituaçu, em Salvador, e também nas redes sociais.

Ildásio Pitanga, coordenador da Agenda Bahia do Trabalho Decente, vinculada à Setre, destacou que um dos eixos prioritários da Agenda é a valorização do trabalho doméstico. “É uma categoria que sofre com a questão da informalidade e, com a pandemia, esse fato se agravou. Entre outras ações, as unidades do Sinebahia recebem esses trabalhadores para orientar, qualificar e fazer a intermediação para o mercado de trabalho”, explicou.

Também presente no evento, a secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Julieta Palmeira, ressaltou que, embora homens e mulheres possam ser trabalhadores domésticos, mais de 80% desses profissionais são mulheres e negras. “O Governo do Estado vem impulsionando, a partir do incentivo aos postos de trabalho e a valorização da Agenda do Trabalho Decente, para que essa categoria possa, realmente, ter direitos e ser valorizada. O esforço que a Secretaria do Trabalho tem feito é fundamental. A Secretaria de Políticas para as Mulheres [SPM] tem se associado a isso, porque a questão do respeito e da equidade de gênero é algo dentro da agenda do trabalho decente que a ONU tem preconizado”, pontuou a gestora.

Participação da Sepromi e resgates históricos

A coordenadora do Centro Nelson Mandela, a advogada Maíra Vida, destacou que as mobilizações no entorno do Dia do Trabalho Doméstico podem contar, de forma permanente, com a participação da Sepromi e que estas agendas resgatam um conjunto de fatos, lutas e legados históricos.

“A presença do Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela na Semana de Valorização do Trabalho Doméstico oportunizou o compartilhamento sobre a vida e legado de uma das maiores intelectuais negras brasileiras, e que dá nome à nossa Biblioteca, Carolina Maria de Jesus. Além de recicladora, Carolina Maria de Jesus foi lavadeira e trabalhadora doméstica e, a partir de suas vivências, esboçou grandiosas análises de conjuntura política e social. O Centro de Referência também foi apresentado como um aparelho público multidisciplinar, com oferta de atendimento social, psicológico e jurídico para pessoas em situação de violência racial e religiosa”, ressaltou Maíra Vida.

Visibilidade e formalização

Hoje presidente do Sindoméstico, Marinalva Barbosa, que está concluindo o curso de Direito, contou que veio para Salvador trabalhar como empregada doméstica aos 18 anos, analfabeta e sem registro de nascimento. “Saí da zona rural de Maragojipe, no Recôncavo, e trabalhei dois anos para juntar dinheiro e voltar à minha cidade para me registrar. Não sabia ler, nem escrever. Pegava ônibus pela cor. Foi uma longa caminhada até aqui”, contou.

Segundo Marinalva, a parceria do Sindoméstico com o Governo do Estado conscientiza essa(e)s trabalhador(a)es de que sua atividade é importante e deve ser formalizada. “É um trabalho já reconhecido, mas a falta de contratos formais e da carteira assinada dificulta a garantia de direitos”, afirmou.

Zenilda Oliveira Lima trabalhou 27 anos em uma casa e passou por muitas humilhações. “Durante a pandemia, senti dor no braço direito, fiz um exame e o médico pediu para eu ficar afastada por seis meses para fazer o tratamento. Os patrões não acreditaram no que eu estava sentindo e acharam que eu estava fazendo corpo mole para não trabalhar. Nem com os atestados eles acreditaram em mim. Resolvi fazer um acordo e pedi para sair do serviço. Como já tinha feito um curso técnico de enfermagem, agora estou trabalhando como técnica de enfermagem no Iperba”, contou.

Fonte: Secom-BA / Repórter: Raul Rodrigues