Sepromi destaca, no mês das mulheres, ações para igualdade racial e de gênero

24/03/2022
No mês de destaque da luta das mulheres, uma série de projetos e ações viabilizadas pela Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi) reforça a valorização, empoderamento e fortalecimento econômico das mulheres negras e dos segmentos de povos e comunidades tradicionais. As iniciativas são oriundas de chamadas públicas, captação de recursos, de eventos específicos da pasta ou através de parcerias.

Dentre as principais ações estão os projetos do Edital da Década Afrodescendente que, na última edição, contemplou um total de 50 iniciativas, com investimento total de R$ 3 milhões. As propostas, em plena fase de execução, alcançam a capital e outros 25 municípios de diversos territórios. Para serem contemplados pelas chamadas públicas as atividades precisam ter, no mínimo, 50% de mulheres negras como público-alvo.

Um dos exemplos é o projeto “EmpoDENDÊramento”, voltado ao empreendedorismo de mulheres negras de Camaçari, com foco na redução dos impactos da pandemia junto às comunidades, qualificação e geração de renda. Desenvolvido pela Associação Beneficente, Cultural e Religiosa do Terreiro Unzó Tatêto Lembá, a iniciativa contemplou 50 mulheres, divididas em três turmas que participaram de cursos de produção de azeite de dendê, culinária afro-brasileira e confecção de sabão artesanal.

Juciara de Santana, beneficiária do projeto, destacou que a ação contribuirá para sua retomada de vida e superação da realidade do desemprego. “O projeto chegou num momento de pandemia, quando as portas se fecharam pra gente. Então vejo que essa foi uma oportunidade de estudar algo novo. Fiquei muito feliz. Agora eu penso em empreender, já que o curso me ensinou a fazer bolo de carimã, de aipim, pamonha e outros produtos”, pontuou.  

Outra iniciativa é o projeto “Pret@ Fashion Revolution: Customização com identidade étnico-racial”, executado pela Associação Cultural e Carnavalesca Afoxé Kambalagwanze, voltado para mulheres negras de comunidades periféricas, de terreiros e LBTT de Salvador e Lauro de Freitas. Dentre as ações estavam debates sobre feminismo das mulheres negras, organização e participação política; iniciativas de valorização da identidade negra, fortalecimento e empoderamento; além da qualificação para o empreendedorismo.

“Comemoramos vitórias significativas quando conseguimos reunir num projeto como este, através do Edital da Década Afrodescendente, mais de 30 mulheres dispostas a acrescentar conhecimentos e saberes capazes de mudar a vida para melhor. Fomos contempladas com um projeto direcionado inteiramente à diversidade feminina e que, apesar da pandemia e do verão atípico, estamos operando de forma bastante satisfatória”, salientou a Iracema Neves, gestora do Afoxé Kambalagwanze.

A titular da Sepromi, Fabya Reis, ressalta que as iniciativas da Sepromi buscam contribuir para a reparação, fortalecer o protagonismo das mulheres negras e dos povos e comunidades tradicionais. “Nosso intuito é avançar na defesa e garantia de direitos, valorização da luta histórica das mulheres e, sobretudo, potencializá-las neste momento de crise gerada pela pandemia e pelas desigualdades raciais e de gênero presentes historicamente nas nossas vidas”, contextualizou a gestora.

Além de projetos apoiados por meio de editais, outras ações da Sepromi fortalecem a promoção da equidade racial e de gênero, a exemplo de eventos no campo da literatura negra feminina, mobilizações, lives, encontros e debates para visibilizar mulheres negras.

Diálogo e representatividade

No âmbito da participação, controle social e ampliação de diálogos, um dos colegiados vinculados à Sepromi, o Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), conta com expressiva participação negra feminina, segmento que possui assento específico, ocupa a vice-presidência a presidência do colegiado.

Inclusão produtiva

No campo da inclusão produtiva, desenvolvimento sustentável de povos e comunidades tradicionais e fortalecimento das mulheres, a Sepromi prevê a entrega, ainda este ano, a Casas de Farinha Móveis, viabilizadas por meio de capação de recursos pela Sepromi. A iniciativa contemplará comunidades quilombolas e indígenas no interior do estado.

Além dessa ação, terreiros também estão sendo contempladas com a entrega de kits de corte e costura que atenderão mulheres de comunidades tradicionais de terreiro na qualificação e valorização dos seus saberes e fazeres. As máquinas possibilitam a produção de diversas vestimentas, a exemplo dos bordados de richelieu, além de indumentárias tradicionais, peças customizadas para eventos, enxovais de cama, mesa, banho e infantis.