Muzenza desfilou sucessos do samba reggae na passarela do Campo Grande

23/02/2023
A passarela do Campo Grande foi tomada nessa noite de sábado (18), pelo som dos ‘Guerrilheiros da Jamaica’, como são chamados os músicos da percussão do bloco afro Muzenza. Este ano, o desfile do bloco, com as cores características da cultura reggae (vermelho, amarelo e verde) teve como tema o Afrofuturismo.

“Uma forma de expressar nossa estética de forma diferente, moderna e apontando para o futuro”, explica o figurinista e rei do bloco, Siry Brasil. Há mais de 20 anos ele produz figurinos para o Muzenza e, junto com a rainha Claudia Matos e a Muzembela Barbara Sá, representa o bloco com muita dança, gingado e beleza.  

O bloco Muzenza, fundado em 1981 para homenagear Bob Marley, logo após a morte do rei do reggae, é o pioneiro na divulgação do ritmo jamaicano na folia. O lamento pela perda do artista inspirou os versos: “O negro segura a cabeça com a mão e chora, e chora, sentindo a falta do rei”, da canção Brilho de Beleza, gravada por grandes estrelas da música, inclusive a cantora Gal Costa.

Foi por amor ao reggae e pelo ídolo Bob Marley que Nélia Maria Bispo Santos, 68 anos, moradora da Baixa de Quintas, participou de todos os desfiles do bloco Muzenza, desde a fundação da entidade no bairro da Liberdade. “Muzenza é afro, é negro, é cultura. E o reggae é isso, é amor, é consciência”, pontua a animada foliã, enquanto estica uma bandeira com a foto de Marley.

Ostentando seus longos dreadlocks, Nélia integra a ala dos rastafáris, um dos destaques do desfile do Muzenza, vínculo direto com a cultura reggae. “O bloco ajudou muito a divulgar a música reggae e a diminuir o preconceito, que ainda existe. Somos muito discriminados”, reclama Nélia.

Alas e muito mais - Há também as alas das baianas, da capoeira, dos dançarinos e a ala de canto formado pelas vozes de Nem Tatuagem, Zeó, Chocolate, Jorge Garcia e Luciano Gomes, autor do sucesso Faraó, marco do samba reggae.   

Os cantores se revezaram ao microfone para cantar sucessos populares do bloco como a música A Terra Tremeu, gravada por Simone Moreno e Swing da Cor, que lançou Daniela Mercury ao estrelato. A batida do Muzenza evidencia as células rítmicas do samba-reggae criado em Salvador e responsável por uma verdadeira revolução no Carnaval. 

Em janeiro, a cantora Iza se apresentou no Festival Universo Spanta, no Rio de Janeiro, prestando uma homenagem ao Muzenza do Reggae e seus mais de 40 anos de história. Durante o show, Iza vestiu um figurino inspirado nas culturas africanas e jamaicanas, com destaque para as cores tradicionais do Muzenza.