15/03/2022
Em fase de execução no município de Lauro de Freitas, o projeto “De Comer com os Orixás” trabalha a preservação das culturas de matriz africana, qualificação e fomento ao empreendedorismo, fortalecimento dos vínculos comunitários, dentre outros objetivos, contando com apoio do Edital da Década Afrodescendente, da Sepromi. Idealizado e desenvolvido pela Sociedade Beneficente Socioeducativa, Recreativa e Religiosa Oba Lokê, dentre as principais ações está o curso de Cozinha Afro-brasileira, que já beneficiou cerca de 85 pessoas.
Umas das etapas aconteceu no último final de semana, no terreiro Terreiro Ilê Oba Loke, quando os alunos aprenderam receitas de iguarias como acará (acarajé), farofa de dendê, eran pantere, assarô, arroz doce de corte, aluá e cocada. A ideia do projeto é trabalhar a prática de atividades em gastronomia, desde as técnicas das cozinhas africanas, criação, execução e produção das principais preparações, envolvendo os conceitos das dietas alimentares africanas, formação da cultura alimentar brasileira e religiosidade.
“Seguimos diversos ritos de preparação dos alimentos. Somos guardiões destas receitas e precisamos abrir as portas para que as pessoas aprendam conosco. Este projeto é muito importante e tem um grande significado. A Sepromi acreditou na proposta, que está sendo marcante para muita gente. Impacta na vida das pessoas, sobretudo das mulheres empreendedoras, que estão à frente de diversos projetos aqui na comunidade”, pontuou o antropólogo e babalorixá Vilson Caetano, que é a liderança do Obá Loke.
Além da qualificação o projeto pretende criar e instrumentalizar um restaurante de base comunitária nas dependências do terreiro Ilê Obá Loke, espaço que servirá também como centro de formação profissional para a comunidade do terreiro.
O restaurante comunitário será responsável pela comercialização de refeições nutricionalmente balanceadas, originadas de processos seguros e com a utilização de produtos regionais. O projeto prevê, ainda, aliar ao serviço de degustação a experiência de passeio histórico ao Obá Loke, guiado por especialistas em cultura afro-brasileira.
A secretária da Sepromi, Fabya Reis, ressaltou que o projeto integra o conjunto de apoios materializados pelo Edital da Década Afrodescendente, da Sepromi, que tem investido um total de R$ 3 milhões na capital e no interior. De acordo com a gestora, a chamada pública tem como objetivo central reduzir os impactos econômicos da pandemia na população mais vulnerabilizada, sobretudo mulheres e juventudes negras.
“Aqui no Obá Loke reconhecemos a grandiosidade de um projeto que atua no campo da valorização das tradições, qualificação e fomento ao empreendedorismo negro. Foi dia de trocar experiências, fortalecer a luta e vivenciar um pouco os saberes e fazeres tradicionais, as riquezas das comidas de terreiro. Uma boa mistura de cultura ancestral e incentivo à geração de renda”, afirmou a secretária, ao conhecer de perto as atividades.
Uma das alunas do curso é Maiara Almeida, que mora em Salvador e atua na área de vendas. Ela ressaltou que “De Comer com os Orixás” cria, de fato, novas perspectivas profissionais. “Vim conhecer o terreiro e pesquisei algumas receitas para inicialmente produzir em casa mesmo, mas também empreender. O curso é interessante porque resgata a tradição de receitas que, geralmente, são passadas de mãe para filhos”, afirmou. Maiara pretende viajar para a Argentina e investir na conexão com outras culturas a partir dos saberes adquiridos nas aulas. “Quero desenvolver oficinas por lá, levando um pouco da história, das origens destes pratos. Isso é uma forma de empreender. As pessoas desejam ouvir, experimentar, conhecer sobre a cultura afro-brasileira”, pontuou.