Política de redução de danos é tema de debate no Casarão da Diversidade

22/10/2019

O debate sobre redução de danos no Brasil comemora 30 anos e a luta pela institucionalização desta política continua: redutores de danos, por exemplo, ainda não são considerados profissão em diversos locais do país.

Para demarcar esta luta aconteceu na tarde desta terça-feira (22), no Casarão da Diversidade, espaço vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia, um debate acerca do tema, organizado pelo Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT (CPDD-LGBT) com apoio da Rede Nacional de Feministas Antiproibicionistas (RENFA).

O espaço contou com a mediação de Maria Joana Uzeda, educadora social e redutora de danos do CPDD-LGBT e com a presença de convidados como Frank Ribeiro, redutor de danos do Programa Corra pro Abraço; Roca Alencar, professora da UFBA e antropóloga pesquisadora do uso de substâncias psicoativas; Luana Malheiro, da RENFA e do Fórum de Redução de Danos e Benimario Santos, redutor de danos do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPSAD).

Para Uzeda é responsabilidade do CPDD-LGBT ter intervenção e prática na redução de danos, especialmente quando se pensa no atendimento para pessoas LGBT. “Pessoas LGBT vivem em contato com violências sistemáticas e essas pessoas, assim como boa parte do mundo, também fazem uso de substâncias psicoativas”, explica.

A discussão ainda resgatou o histórico da formação do campo de redução de danos no país, além de denunciar as inúmeras violências que atingem a população de usuários/as de substâncias psicoativas, como a guerra às drogas, a violação do direito à maternidade de mulheres usuárias e o enfraquecimento da política de redução de danos em âmbito nacional, além de fazer a defesa da importância da redução de danos ser uma política pública consolidada no Brasil.

O redutor de danos do Programa Corra Pro Abraço, Frank Ribeiro, destacou que dar visibilidade a essas questões e levar a informação correta para a sociedade, fortalece a luta e garante a cidadania dos usuários.

“É importante demarcar, principalmente no atual contexto do país, que a redução de danos garante o cuidado aos usuários, e é necessário sensibilizar a sociedade que acolher as pessoas em situação de rua e usuárias de drogas é garantir os seus direitos sociais, dessas pessoas tantas vezes marginalizadas invisibilizadas. Esse espaço também é importante para nos articularmos em rede”, pontuou.

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