Violência contra a pessoa idosa é tema de videoconferência

15/06/2016
Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, a Secretária de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) realizou nesta quarta-feira (15), uma videoconferência estimulando a sociedade para a discussão sobre políticas públicas que garantam os direitos das pessoas idosas.  O evento realizado no Instituto Anísio Teixeira (IAT), bairro de São Marcos, em Salvador, foi  retransmitido em tempo real a 34 municípios baianos, com a participação de gestores e técnicos da assistência social, saúde, educação, segurança pública; representantes de movimentos sociais, conselheiros e pessoas idosas.

A ampliação de espaços de discussões e a mobilização de uma rede articulada do governo do estado, instituições públicas do judiciário e movimentos sociais são destacados como fatores cruciais para o avanço de politicas públicas em defesa da pessoa idosa. Para a superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Anhamona Brito, o governo, por meio da SJDHDS, é o principal articulador de uma rede para o enfrentamento da violência incidente contra a pessoa idosa,  “fomentando a elaboração de políticas públicas, dando apoio aos municípios, por meio do repasse do cofinanciamento,  para que eles atuem de maneira mais específica, principalmente no âmbito da assistência social”, explicou.

A violência física praticada contra as pessoas idosas na maioria dos casos não é relatada, representando somente 16% das denúncias. Para o representante da Defensoria Pública da Bahia,  João Carlos Gavazza,  a negligência e o abuso financeiro são outros fatores que também destroem a dignidade dos idosos. “As agressões de ordem não-física, a exemplo de apropriação indevida da aposentadoria do idoso e pressões psicológicas, são as mais denunciadas e praticadas, infelizmente, pela própria família, principalmente filhos e netos”, explicou Gavazza. 

Para o geriatra Lucas Kunh, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, a principal questão é como detectar esses tipos de violência e romper com o silêncio. “Para se identificar os tipos de violência é preciso prestar atenção na mudança do comportamento do idoso, sinais de depressão, retraimento, desnutrição e más condições de higiene. A negligência é um mau trato que ocupa 76,3% dos registros de violação de direitos da pessoa idosa e esse silêncio só é quebrado quando o idoso se sente protegido pelas instituições”, afirmou. 

Atualmente, a população idosa representa 25% da sociedade brasileira, a perspectiva é que em 2050 represente 48% da população. “A sociedade precisa entender que os idosos são uma parcela estratégica da população com potencial de contribuir com o nosso processo de desenvolvimento econômico e social. Em muitos casos, as pessoas idosas, com suas aposentadorias, são as chefes de famílias e, por conta do preconceito, as famílias e toda a sociedade acabam deixando de lado o atendimento e o acolhimento a essas pessoas”, afirmou Anhamona de Brito. 

Para o representante do Conselho Estadual do Idoso, Admilson Araújo, “a violência contra a pessoa idosa tem que ser combatida de forma mais sistemática, e a criação de conselhos municipais, articulados com as instituições que atuam na área da defesa do direito do idoso, são fundamentais para garantir os direitos que estão fundamentados nos marcos legais”. 

Participaram também da videoconferência, que foi organizada pela Coordenação de Articulação de Políticas para a Pessoa Idosa da SJDHDS,  a delegada de Atendimento ao Idoso de Secretaria de Segurança Pública (SSP), Laura Campo Argolo, as assistentes sociais da Secretaria  de saúde (SESAB) e do Ministério Público da Bahia, além idosos do Centro Social Urbano (CSUs) do bairro de Narandiba, Pernambués, Mussurunga e do município de Lauro de Freitas.