21/06/2017
Alegria, reconhecimento e reflexões sobre garantias de direitos marcaram a sessão especial em homenagem ao Programa Corra pro Abraço, realizada na manhã da terça-feira (20), na Câmara Municipal dos Vereadores de Salvador, no Centro Histórico. A iniciativa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) foi apresentada pela coordenadora Jamile Carvalho, e celebrada por cerca de 120 pessoas, entre assistidos e funcionários do programa, gestores estaduais e municipais, um analista do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime – UNODC, e colaboradores que acreditam nas estratégias de redução de danos como fundamentais para mudanças de vidas.
A homenagem foi proposta pelo vereador Silvio Humberto, que destacou como inovadora a proposição metodológica do Corra pro Abraço e destacou como é importante, considerando o momento do país, a valorização de ações como esta, que possibilitem oportunidades e apresentem soluções, tendo como principal eixo as pessoas. “Quando você oferece as oportunidades, quando se importa, abre os braços para oferecer o abraço, faz uma enorme diferença. Por isso que nós do mandato estamos de braços abertos para fazer essa troca de conhecimento. De uma solução que parte por reconhecer o lugar social das pessoas e de que é possível uma outra abordagem, como o programa tem feito”.
César Lisboa, chefe de Gabinete da SJDHDS, também esteve presente e falou sobre como são desafiadoras e gratificantes as implementações de iniciativas como o Corra pro Abraço e que mesmo o país enfrentando um momento de crise, manter ações como esta são fundamentais para a melhoria de vidas de pessoas que estão em maior situação de vulnerabilidade. Já a Superintendente de SUPRAD, Denise Tourinho falou sobre um outro público que o Corra atua, os jovens de bairros com altos índices de violência. "É o passo anterior da chegada a rua. Tínhamos que ir para os bairros conversar com eles. Chegar antes de evadirem da escola. Antes de se tornarem exilados territoriais e da saída dos seus contextos comunitários", refletiu Tourinho sobre a importância do programa não ficar "de braços cruzados" nos primeiros momentos compreendidos como de violações de direitos.
A simbologia do nome do Corra pro Abraço foi mencionado por quase todos os membros que comp#OOPS#am a mesa, como o analista de programa da UNODC, Francisco Cordeiro, que mencionou a sua felicidade em perceber que é através do abraço que as pessoas se reconheciam no programa e como isso é verdadeiro e necessário para o desenvolvimento do trabalho com pessoas, neste caso, considerado por ele algo muito novo e diferente das outras ações que conheceu em nível nacional e global. Cordeiro falou ainda sobre como é preciso dar mais visibilidade também para o trabalho realizado pelo programa com pessoas oriundas do sistema prisional, encaminhadas pelas audiências de custódia do Núcleo de Prisão e Flagrantes do Tribunal de Justiça, para mostrar que outros caminhos são possíveis.
Na mesma linha seguiu a ouvidora-geral da DPE/BA, Vilma Reis, que destacou também a maturidade política da SJDHDS para realizar, por meio da SUPRAD, uma ação que inspira o país. "Aqui verificamos o quanto é preciso prioridade na diversidade do investimento do recurso. O Corra está dialogando com vários segmentos. As políticas que mais dão certo no governo estão sendo conduzidas pelas pessoas nesta sala. Precisamos potencializar estes investimentos e não tratá-los como gastos. Vida longa Corra pro Abraço”, concluiu. Já a defensora pública Mônica Aragão destacou a atuação da iniciativa com a população em situação de rua. “Este é um programa campeão de resgate da cidadania. Vivemos um momento delicado em nosso país e precisamos estar atentos e sermos fortes”. E questionou: “Por que não transformar o ‘Corra pro abraço’ em uma política pública? Este debate não termina aqui”.
Josuel Oliveira, assistido do Corra pro Abraço, contou que antes do programa "vivia triste, sem esperança e usava substâncias psicoativas". "O programa foi um divisor de águas em minha vida. Tive apoio e serviu como uma verdadeira mão amiga estendida quando eu mais precisava de um incentivo na vida. É como diz nossa música: ‘depois que eu vim pro Corra minha vida melhorou’”, contou o beneficiário que voltou a estudar e cursa o 3º ano do ensino médio. Ele também se apresentou no encerramento da sessão, que contou com a apresentação do espetáculo teatral “Negro Bom é Negro Vivo”, encenada pelo grupo Juntos pela Arte e Educação na Rua – JAER, formado pelos assistidos do programa.
Fonte
Ascom/Corra pro Abraço