28/01/2020
“Ração Desumana”, “Sem Descanso,” “Dói na carne”. Esses foram alguns dos títulos das imagens que o público que passava pelo Shopping da Bahia, em Salvador, nesta terça-feira (28), pôde ver. A ação é parte da exposição “Realidade Oculta – Revelando o Trabalho Escravo no Brasil”, que marca o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
A mostra é uma iniciativa da Comissão de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae-BA), órgão coordenado pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), e faz parte da Semana de Mobilizações para a Erradicação do Trabalho Escravo, realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-BA).
“O trabalho escravo é uma prática criminosa que anula a dignidade humana, e estamos em pleno século 21. Por isso, a exposição é fundamental para mostrarmos a sociedade que o trabalho escravo não é fictício, é real e tem que ser combatido", afirmou o secretário da SJDHDS, Carlos Martins. O superintendente de Direitos Humanos da SJDHDS, Jones Carvalho, e o coordenador da Coetrae-BA, Admar Fontes, também estavam presentes.
O acervo é composto por 16 painéis com fotografias, textos e mapas que revelam um pouco das ações de combate ao trabalho escravo no Brasil e, mais especificamente, na Bahia. As imagens revelam trabalhadores, incluindo adolescentes e imigrantes, submetidos a atividades desgastantes, jornadas de trabalho exaustivas, além de situações de risco à saúde. Os alojamentos são feitos com varas e cobertos com lonas sem água potável e energia. Alguns chegam a dormir no curral junto com os animais.
“São imagens fortes e impactantes. A gente acha que isso é algo distante ou retrógrado, mas, na verdade, é bem contemporâneo e pode estar o nosso lado", observou, atentamente, o servidor público Felipe Dourado, que passava pelo local.
“Muitas vezes o que consumimos diariamente é fruto de um trabalho escravo, portanto, é dever de todos nós, poder público e sociedade civil, ficarmos atentos a estas situações e denunciarmos", pontuou a procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT-BA), Manoela Gideon.
A exposição vai até o dia 03 de fevereiro, no segundo piso do shopping. Até a data, outras ações, como palestras, campanhas nas redes sociais através de imagens e vídeos, serão desenvolvidas com o intuito de conscientizar a população sobre os malefícios da escravidão em pleno século 21.