15/05/2023
Aconteceu entre quinta (11) e domingo (14), na capital paulista, a 4ª Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O evento reuniu mais de 1,7 mil produtores agroecológicos de todo o país, agregados em 191 cooperativas e associações de agricultores familiares, em uma grande mostra da luta pela democratização da terra e pela soberania alimentar. O governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e a titular da Secretaria de Assistência Social e Desenvolvimento Social, Fabya Reis, participaram do evento.
As famílias Sem Terra levaram para São Paulo cerca de 560 toneladas de produtos da agricultura familiar, que foram apreciados por cerca de 320 mil pessoas. Também foram destinadas 38 toneladas de alimentos para a ação de solidariedade junto a 24 entidades sociais, que vão chegar a diversas famílias em situação de vulnerabilidade.
As famílias Sem Terra levaram para São Paulo cerca de 560 toneladas de produtos da agricultura familiar, que foram apreciados por cerca de 320 mil pessoas. Também foram destinadas 38 toneladas de alimentos para a ação de solidariedade junto a 24 entidades sociais, que vão chegar a diversas famílias em situação de vulnerabilidade.
De acordo com Diego Moreira, da coordenação nacional do setor de produção do MST, o evento apresenta um balanço positivo. “Alcançamos em todos os objetivos, em especial com a produção. Sem dúvida, a Feira da Reforma Agrária é a síntese da grandiosidade do que é o MST e a diversidade da produção dos assentamentos de Reforma Agrária pelo Brasil”, comemorou.
Na Culinária da Terra, espaço dedicado à gastronomia regional, foram produzidos 95 tipos de pratos de 30 cozinhas diferentes, com a cultura de todos os cantos do país. Dentre as receitas estavam bode assado e cozido de Pernambuco, caldo de sururu e moqueca da Bahia, quiabada de Sergipe, galinhada com guariroba com arroz com pequi de Goiás, tropeiro de Minas, peixe no açaí, pato no tucupi e tacacá da região Amazônica.
Embora a Feira se destaque pelos deliciosos sabores provados no Parque da Água Branca, a comida não foi a única atração. Com uma programação cultural gratuita, contou com shows de artista consagrados como Zeca Baleiro, Alessandra Leão, Thiago Oproprio e Jorge Aragão, Gaby Amarantos e Johnny Hooker, Camisa Verde e Branco, e um fechamento especial com o Show Terraça, pensado especialmente para a feira, além de grupos populares, intervenções, e muita música. Ao todo, 412 artistas passaram pelo evento, além de diversos influenciadores, comunicadores e apoiadores do MST do Brasil e de outros países.
Debates e compromissos com o meio ambiente
Durante os quatro dias de evento também ocorreram seminários, oficinas, debates e lançamentos de livros sobre temas ligados à agroecologia, feminismo, luta antirracista, educação do campo, reforma agrária popular e conjuntura nacional.
Os visitantes também puderam conhecer a prática de viveiros agroecológicos implantada nos assentamentos e acampamentos do movimento, uma das ações concretas do plano nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, com o desafio de plantar 100 milhões de árvores no país. Ao longo da feira, foram doadas mais de 20 mil mudas e cerca de 880 quilos de sementes.
Políticas públicas
A Feira também foi um momento de diálogos e articulações institucionais entre sociedade civil, governos e parlamentos, visando a estruturação de políticas públicas voltadas para o assentamentos das famílias acampadas no país, como estratégia de combate a fome.
“Nós precisamos construir uma sinergia dos movimentos sociais, da sociedade civil brasileira e do governo para avançarmos com um verdadeiro programa nacional de reforma agrária. Um programa nacional que vise desenvolver os assentamentos existentes, as mais de 500 mil famílias assentadas pelo país, já organizadas na base do MST, e assentar as mais de 80 mil famílias acampadas, com um Programa Nacional de Reforma Agrária, com o desafio de enfrentar o tema da fome nesse país”, afirma Diego.
Outra demanda apresentada pelo MST concentra-se na ampliação de políticas estruturantes para a produção de alimentos saudáveis e a agroindustrialização dos assentamentos, além de incentivos na área da recuperação ambiental.
*Com informações do MST