09/08/2021
A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) realizou nesta segunda-feira (09) uma live para marcar o Dia Internacional dos Povos Indígenas. Com convidados indígenas e acadêmicos, o evento online trouxe um panorama sobre os povos indígenas da Bahia e os desafios atuais. O debate foi mediado pelo coordenador de Políticas para os Povos Indígenas da SJDHDS, Jerry Matalawê.
O debate começou com a participação do professor da Universidade do Estado da Bahia, José Augusto Sampaio.
"Por não entenderem a história dos povos indígenas no Brasil, as pessoas vêem com desconfiança essa crescente mobilização dos povos indígenas da Bahia e do Brasil", comentou o professor, falando sobre a estranheza que a mobilização e organização dos povos indígenas ainda causa em determinados setores da sociedade.
O professor também fez um panorama da distribuição dos povos pela Bahia. "Os povos indígenas da Bahia estão em sua maioria no sul e no extremo sul, mas nós temos a presença dos povos em todas as regiões da Bahia", completou o acadêmico.
O cacique Adenilton Tuxá, do povo Tuxá de Banzaê e representante do Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), também participou da live e falou sobre o tema.
"Nós temos que estar unidos para que possamos fazer pressão, ir para luta e derrubarmos as ameaças aos povos indígenas da Bahia e do Brasil. São ataques diretos e nós estamos resistindo. Precisamos preparar os nosso jovens porque essa é uma luta permanente, desde o dia que nascemos", disse o cacique.
Representante da Cimi Regional Leste, Haroldo Heleno falou sobre a preocupação da falta de ação de órgãos públicos que deveriam defender os direitos indígenas.
"O que nos preocupa hoje, além da violência, evidentemente, é que os órgãos que deveriam defender os povos indígenas estão cumprindo o papel de atacar os direitos desses povos", pontuou.
"Os povos indígenas baianos, mesmo com todas as dificuldades, estão sempre à frente das lutas nacionais, protagonizando a luta e a resistências dos povos indígenas do Brasil", completou o representante da Cimi.
"É importante mostrarmos a tentativa de apagamento da nossa história, mas é fundamental continuarmos lutando e resistindo", afirmou Dinamam Tuxá, que também participou da live.
O superintendente Jones Carvalho encerrou a live reforçando a necessidade de fortalecimento e união contra os retrocessos.
"Estamos abertos a discutir, dialogar sempre. Nossa preocupação com determinadas situações é grande. Nosso objetivo é conseguir o que é melhor, aquilo que os povos indígenas têm direito", pontuou.