19/05/2021
Na noite desta terça-feira (19), a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), através do Serviço Viver, participou de um debate virtual sobre o tema “Violência Infantil: como identificar e onde pedir ajuda?”. A atividade foi em alusão ao 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
A convite do Coletivo de Mulheres Evangélicas pela Igualdade de Gênero (EIG-BA), a psicóloga do Serviço Viver, equipamento gerido pela SJDHDS, Yulle Dantas, falou sobre a importância de trazer o tema para o dia-a-dia com a sociedade para alertá-la na identificação de casos e/ou denúncias.
“A partir da minha experiência no Viver, a maioria das vítimas são meninas de 7 a 13 anos, negras, e a maioria que prestam queixa são de famílias de classe baixa. Os agressores normalmente são próximos. A violência ocorre dentro de casa na maioria das vezes, o que deixa a vítima mais fragilizada, porque o lugar de convívio passa a ser o lugar de medo. Por isso, é importante discutir todos os dias esse tema para alertar a sociedade e fazer com que nossas crianças sejam protegidas”, afirmou Yulle.
O Serviço Viver atende, prioritariamente, crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, e está localizado no Instituto Médico Legal – IML. Formado por uma equipe técnica de médicos, assistente social e psicólogos, o Viver presta acolhimento institucional, atendimento médico ambulatorial e acompanhamento psicossocial à vítima e seus familiares.
Durante o debate, mediado pela ativista EIG-BA, Elisabete Pereira, psicólogas e conselheiras tutelares foram esclarecendo a diferença entre abuso e exploração sexual, como identificar e a importância de dar atenção e ouvir a criança, dando a ela o benefício da dúvida.
“O abuso sexual e a exploração são duas formas de violência. O abuso é a exposição da criança a situações ou imposta por força física, que pode ocorrer dentro do convívio familiar ou extrafamilar, com pessoas que tenham a cesso à vítima. Já a exploração sexual, normalmente é usada para fins comerciais, contexto de pornografia, prostituição, redes de tráfico e turismo com motivação sexual. A maioria das situações que chegam ao Conselho Tutelar é o abuso dentro do contexto familiar”, esclareceu Aparecida de Cássia, conselheira tutelar de Simões Filho.
“Por isso, quando uma criança faz uma queixa, é preciso investigar, dar a ela o benefício da dúvida e buscar ajuda. Muitas vezes, a violência sexual ocorre por negligência, pois muita gente acaba achando que essa violação só ocorre com o ato, o toque, o estupro. E não é”, afirmou Juliana Galvão, psicóloga em Unidade de Acolhimento Institucional para pessoas em situação de rua.
“A exposição da criança a filmes, fotos, jogos, já é uma forma de violência. Além disso, muitas vezes o autor da agressão não deixa marcas, o que dificulta a família identificar ou perceber a agressão, deixando a palavra da vitima negligenciada”, ressaltou Yulle Dantas.