12/04/2019
A coordenação de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Combate ao Trabalho Escravo, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), atendeu dois trabalhadores que foram resgatados de situação de trabalho análogo à escravidão no estado do Rio de Janeiro. Os dois trabalhadores foram recebidos no aeroporto de Salvador, pelo coordenador das ações na Bahia, Admar Fontes, na noite desta quinta-feira (11), após um trabalho conjunto entre os Estados da Bahia e Rio de Janeiro.
Jailton Santos*, 43 anos, e Antônio Silva*, 48 anos, foram aliciados na Bahia e levados ao Rio de Janeiro para trabalharem em carvoarias clandestinas, em condições precárias, sem acesso a salários e sem carteira assinada. “Sabemos que era condição análoga à escravidão justamente pelo fato do Rio de Janeiro não poder ter carvoarias legalizadas. Diante disso, o Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e ao Trabalho Escravo (NETP) do Rio de Janeiro nos contatou e, a partir da articulação que envolveu Justiça e os Governos da Bahia e Rio de Janeiro, trouxemos os trabalhadores de volta”, esclareceu Admar.
Segundo o depoimento dos trabalhadores, as condições de trabalho na carvoaria eram desumanas: sem acesso à água tratada, banheiro, cama e com carga horária de trabalho exaustiva, que iniciava às 5h da manhã e seguia até 16h. Além disso, trabalharam dois meses sem receber salários e/ou ajuda de custo. “A gente foi pra lá com a promessa de receber R$ 40 por dia de trabalho. Até hoje não vimos a cor do nosso dinheiro. Pelo contrário, ainda ficamos com dívidas que, segundo eles, era para custear nossas despesas com alimentação e moradia”, declarou Jailton Santos.
Para Antônio Silva, o mais difícil não era o trabalho exaustivo, mas sim, “a saudade da família, o isolamento de tudo e de todos. Nunca mais quero voltar a viver assim, isso não é vida! Quero, agora, voltar pra minha cidade e poder comprar uma moto para trabalhar de moto táxi”, afirmou um dos trabalhadores resgatados.
A Coordenação - Além da prevenção, repressão e atendimento as vítimas, a Coordenação de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Combate ao Trabalho Escravo desenvolve um trabalho na perspectiva de repressão ao crime organizado e elaboração de uma série de programas sociais. Atua com ações preventivas, priorizando a informação, sensibilização, mobilização da sociedade em geral sobre as diversas maneiras de enfrentar o tráfico de pessoas e trabalho escravo, além de oferecer capacitação para o enfrentamento.
*Jailton e Antônio são nomes fictícios, usados para preservar a integridade dos personagens.