15/04/2021
Acolhimento sem conversão é possível? Esse foi o tema de mais uma capacitação promovida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) para técnicos, voluntários e trabalhadores que atuam nas comunidades terapêuticas no estado da Bahia. A atividade virtual contou com a participação de 25 pessoas, entre elas, a diretora de Prevenção e Redução de Danos da SJDHDS, Emanuelle Silva.
O tema, conduzido pelo médico e ex-conselheiro do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas - Cepad, Leandro Domingues, discorreu sobre o cuidado centrado nas necessidades das pessoas acolhidas em Comunidades Terapêuticas. A partir desta provocação, os profissionais discutiram e refletiram se as ofertas dos serviços nas unidades devem estar condicionadas ou não à conversão de estilo/comportamento/modo de vida e/ou de religiosidade do acolhido.
“Conversão é uma proposta de mudança de identidade, de estilo de vida e/ou mesmo de espiritualidade. Nem sempre os acolhidos dos serviços das Comunidades Terapêuticas buscam as unidades com esse intuito. Às vezes buscam apenas alívio, proteção, convívio ou redução de danos. Nessa perspectiva, é preciso questionar e refletir em que tipo de ajuda a pessoa está buscando quando opta pela internação na CT e, principalmente, se a unidade oferta caminhos diferentes para o tratamento”, esclarece o professor de medicina da UFBA, Leandro Domingues.
“A discussão é fundamental para que possamos refletir nossas práticas dentro das CTs. Como e em que medida a conversão, seja ela do modo de vida ou no âmbito religioso, pode acontecer sem que haja violações de direitos, construindo assim, novos caminhos para a promoção do cuidado das pessoas que fazem uso de substâncias psicoativas”, reforçou Emanuelle Silva.
Ao ouvir as provocações da temática, a presidente da Associação Cristã Nacional, Thelma Carneiro, disse que “é preciso reconhecer a legitimidade de outros caminhos de tratamento nas Comunidades. É uma discussão extremamente importante que nos faz refletir sobre nosso real papel no acolhimento dessas pessoas”, disse ela.
As capacitações têm o objetivo de promover atualizações técnicas e teóricas da clínica de Álcool e outras Drogas e temáticas voltadas para a garantia dos Direitos Humanos.