21/01/2021
O ano de 2020 terminou com uma notícia surpreendente para Davi Calmon, jovem trompista da Orquestra 2 de Julho. Por sua dedicação e excelência, tanto na performance quanto na multiplicação, ele foi o grande vencedor da primeira edição do Prêmio NEOJIBA. Ganhou um ano de estudos na Suíça. A premiação foi criada para valorizar os esforços dos integrantes do programa social do Governo da Bahia, vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). "O NEOJIBA não nos deixou na mão em momento algum. Então, o mínimo que eu podia fazer era retribuir", conta Davi.
Num ano singular, a sensação de que o NEOJIBA esteve sempre presente também pode ser traduzida em números. Em março, quando as primeiras medidas de distanciamento social foram anunciadas, o programa levou apenas 48 horas para migrar as atividades para as plataformas virtuais, garantindo o atendimento aos 1970 integrantes em Salvador e no interior do Estado. Foram mais de 16 mil horas de aulas, mais de 6 mil atividades de orientações e atendimentos psicossociais e 71 apresentações musicais, que alcançaram um público de mais de 24 mil pessoas.
Para o secretário Carlos Martins, o NEOJIBA atingiu um patamar ainda mais alto durante a pandemia. "Esse programa social, um dos mais exitosos programas de justiça e inclusão social no país, só tem dado alegrias e sucesso ao nosso estado. Mas essa pandemia fez com que o NEOJIBA se tornasse maior ainda. Desde março, fizemos vários eventos virtuais, dando apoio psicológico e social às famílias, para que nossos jovens continuem brilhando e descobrindo, através da música, o conceito de cidadania e inclusão social".
O maestro Ricardo Castro, fundador e diretor-geral do NEOJIBA, destaca o impacto educacional do programa, potencializado ao longo do ano. “Sem abandonar nossa identidade de justiça social e excelência, em 2020, o NEOJIBA se revelou como grande ferramenta de impacto na educação, oferecendo a centenas de famílias baianas um canal privilegiado de troca de experiências durante a pandemia. Esse movimento sem precedentes será determinante para o futuro do programa daqui pra frente.”
Para que todos pudessem manter a rotina de estudos, foram disponibilizados, com o apoio da sociedade civil, alguns celulares e tablets, além do auxílio para compra de pacotes de internet. Os vizinhos dos núcleos do programa também puderam acessar gratuitamente as redes de wi-fi do NEOJIBA, que foram compartilhadas. Além das aulas com os instrutores do programa, os integrantes acompanharam mais de 30 masterclasses com artistas internacionais, como a violinista japonesa Midori Goto, o flautista suíço Michel Bellavance e a oboísta moçambicana EldevinaMaterula, ministra da Cultura de Moçambique.
A clarinetista Renata Lima, que integra a Orquestra Pedagógica Experimental (OPE), conta que as aulas foram fundamentais para que continuasse praticando. "Se não tivéssemos essas aulas, seria um pouco desmotivador estudarmos sozinhos em casa, sem um professor para instruir o que devemos fazer. As aulas online estão sendo bem criativas e bem legais também".
Mesmo com o distanciamento social, os integrantes continuaram aprendendo uns com os outros, mantendo vivo o maior lema do NEOJIBA, o "Aprende quem ensina". Em junho, foi criada uma nova ação, o Apadrinhe, que envolveu 150 padrinhos e madrinhas e mais de 170 afilhados. Em Teixeira de Freitas, Nycollas Silva, 15, e o seu afilhado, Emanuel Teixeira, 11, se conectavam três vezes por semana para estudar violino juntos. "Mesmo sendo online, eu senti muita diferença no jeito que eu toco agora", conta Emanuel. A experiência também foi marcante para Nycollas, que quer ser professor no futuro. "Tivemos momentos de conversa, de preocupação, de erros, mas com esses acontecimentos conseguimos melhorar a cada dia. O Apadrinhe foi uma experiência que vou levar para a vida".
Atendimentos psicossociais
Para encarar os inúmeros desafios de 2020, os integrantes e familiares do programa puderam contar com o apoio indispensável do setor de Desenvolvimento Social do NEOJIBA, responsável pelo acolhimento psicossocial. Os psicólogos e assistentes sociais do setor realizaram atendimentos individuais e também promoveram encontros coletivos com especialistas, como o psicólogo Alessandro Marimpietri, a socióloga Maura Espinheira e a educadora Anna Penido, para tratar de temas como saúde mental, educação e cidadania.
Numa palestra realizada em setembro, Anna Pennido defendeu que o conhecimento deve estar a serviço da transformação do mundo e elogiou o trabalho feito pelo NEOJIBA. "O programa oferece a oportunidade de trabalhar o conhecimento, as emoções, a cultura. Nesses tempos de intolerância, de tantas crises, a gente fica se perguntando se o ser humano tem jeito. E quando a gente se depara com vocês, tem certeza de que o ser humano é campo fértil para muitas coisas positivas e transformadoras". Violinista da Orquestra 2 de Julho, Gabriela Dalcom se emocionou com o que ouviu. "O NEOJIBA não é música pela música. É o que está por trás, a educação, o social. A música é uma ótima ponte para promover essa transição".
As reuniões de pais e responsáveis também aconteceram virtualmente. Caroline Pereira, mãe de Samara, que integra o Núcleo de Prática Musical Canto Coral, participou da reunião que discutiu a relação entre educação e família em tempos de pandemia, com a participação de pesquisadores do Núcleo de Estudos sobre Educação e Direitos Humanos da Universidade Católica do Salvador (NEDH/UCSAL). "Gostaria de agradecer a todos, a cada profissional da linha de frente do NEOJIBA, a cada pai pela sua dedicação, porque estamos vivendo um momento muito difícil, e, graças à equipe do NEOJIBA, sinto amenizar as angústias e medos".