Capacitação promove reflexão sobre atendimento ao usuário de drogas

14/07/2016

O uso da droga não como a causa dos problemas sociais e sim como sua consequência foi um dos pontos altos da palestra proferida pelo professor e psiquiatra Antônio Nery, na capacitação promovida pela SJDHDS direcionada a gestores e técnicos de comunidades terapêuticas


 “Estamos mirando o alvo errado. O uso da droga não é causa, e sim, sintoma do nosso desarranjo, da nossa desarrumação, do nosso desconforto social, da nossa perda de fundamentos, de regras, de norte, das nossas bases éticas e morais”. Essa foi a linha da palestra proferida pelo professor,  médico psiquiatra  e coordenador geral do Centro de Estudos e Terapia de Abuso de Drogas/UFBA, Antonio Nery,  nesta quinta-feira (14), na sede da Defensoria Pública do Estado, no Canela,  no encerramento da capacitação destinada a profissionais e gestores de centros terapêuticos que atendem usuários de substâncias psicoativas no território baiano.

Segundo Nery, é um grande engano continuar trabalhando como se a droga fosse a causa principal da desorganização social. “Temos que nos voltar para as pessoas, para os direitos humanos e para a ética, e não para os problemas que a droga causa. É necessário restaurar os nossos mitos fundadores que estão em crise e, como consequência, teremos uma redução no consumo de drogas”, salientou.

Capacitação -Promovida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social,  a capacitação aconteceu em dois dias, abordando temáticas relacionadas às políticas sobre drogas e outras políticas públicas importantes para a reabilitação psíquica e social dos dependentes químicos. O objetivo foi orientar as entidades -  60 técnicos das 14 comunidades terapêuticas conveniadas com o Governo do Estado - e promover a reflexão sobre a importância de uma atuação em rede para garantir a oferta de um serviço de qualidade.

Para a diretora de Gestão e Monitoramento de Políticas sobre Drogas  da SJDHDS, Emanuelle Silva, a capacitação levou aos participantes momentos de novos aprendizados e de reconstrução de novos saberes. “Trazer a análise da relação do uso de substâncias psicoativas, das políticas sobre drogas e a questão racial, a questão LGBT, do fetiche de se olhar para as drogas e não para o ser humano, fez com que os técnicos e gestores dessas comunidades terapêuticas vissem que o problema não está no uso em si, mas no contexto social, econômico e afetivo em que o  indivíduo está inserido. Esses dois dias serviram para despertar muita inquietação e para que sejam repensadas as práticas dos que estão lá na ponta”, ressaltou.

Cuidador de comunidade terapêutica COTEFAVE, do município de Vitória da Conquista, Iure Oliveira considerou de suma importância a iniciativa e elogiou o programa da capacitação. “Foi de grande aprendizado e enriquecimento pessoal e profissional para mim. Voltar com essa bagagem e poder contribuir nas nossas comunidades terapêuticas, repassando e colocando em prática o que aprendemos aqui, não tem preço!”