19/01/2017
A partir de fevereiro, 960 jovens, na faixa etária de 15 a 21 anos, que moram nos bairros da Liberdade, Tancredo Neves e Bairro da Paz serão beneficiados pelo projeto Bloco Afro nas Comunidades, uma iniciativa da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), em parceria com o bloco afro Ilê Aiyê. Durante um ano, a cada seis meses, serão ofertados cursos profissionalizantes de Percussão, Dança e Estética Afro, além de oficinas sobre cidadania e outras atividades fomentadoras da cultura de paz e da não violência.
Para o secretário de Justiça Social, a expectativa é de que os alunos do projeto “desenvolvam habilidades que propiciem a oportunidade de inclusão sócio produtiva, elevem a autoestima e se preparem para atuação como agentes culturais de desenvolvimento comunitário e social junto às suas comunidades”. A iniciativa é um desdobramento do convênio assinado entre a SJDHDS e o bloco afro, em fevereiro de 2016, integra as ações do Programa Pacto pela Vida e também do Plano Juventude Viva.
As atividades do projeto Bloco Afro nas Comunidades serão realizadas pelo Ilê Aiyê que, para além dos tambores, desenvolve na Senzala do Barro Preto, sede da agremiação, um projeto pedagógico e cultural que promove a valorização e a ascensão do negro na sociedade, com atividades de educação e cidadania, qualificação profissional para jovens e projetos pedagógicos com conteúdos sobre a história e a cultura afro-brasileira.
Segundo o presidente do bloco, Antônio Carlos dos Santos Vovô, “o Ilê Ayiê é muito mais que uma agremiação carnavalesca porque atua em um projeto étnico-racial durante os 365 dias do ano e tem na sua missão a responsabilidade com o empoderamento juvenil, na luta contra o processo de exclusão continuada em nosso estado. Muito importante que a nossa experiência social seja replicada para as outras comunidades além do Curuzu e outros bairros que já atuamos”.
A ação da SJDHDS também tem o apoio do Estatuto da Igualdade Racial, uma articulação entre a Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi) e a Casa Civil.
Ilê Aiyê
Fundado em 1º de novembro de 1974, no terreiro Ilê Axé Jitolu, situado na Ladeira do Curuzu, bairro da Liberdade, o bloco, sob a luz do movimento Black Power, foi pioneiro nas ações que promoveram as discussões sobre a consciência racial em Salvador. A partir do esforço da Yalorixá, Mãe Hilda de Jitolu, o Ilê realizou o primeiro desfile carnavalesco em 1975, e desde então, se firmou como um dos principais agentes no resgate da autoestima e conscientização da população negra do estado. Tendo a música como principal argumento, mas não como única possibilidade, o Ilê Aiyê inaugurou uma nova estética reconhecida pela maior parte da população de Salvador, com repercussões nacionais e internacionais, sem perder o compromisso político e social.