Conferência territorial aponta conquistas para segurança alimentar no Sertão do São Francisco

13/07/2015
Agricultores familiares, pescadores, comunidades de fundos de pasto, povos de terreiro, profissionais das áreas de educação, assistência social, saúde e nutrição participaram, nos dias 7 e 8 de julho, da primeira conferência territorial de segurança alimentar e nutricional de 2015,  no território de identidade Sertão do São Francisco. O encontro foi articulado pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-Ba), órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) e aconteceu no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro.

A mesa de abertura do evento contou com a participação de Carlos Eduardo Souza, do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea-Ba), Roosevelt Duarte, representante da prefeitura de Juazeiro, Edmilson Nascimento, do núcleo diretivo do Sertão do São Francisco, Admilson Tiziu, da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Yoná Pereira, do Consea municipal de Juazeiro, e Benedita Varjão, da União das Cooperativas de Agricultores Familiares (Unicafs). 

Com o tema “Comida de verdade no campo e na cidade: por direitos e soberania alimentar”, a conferência reuniu delegados, convidados e observadores, representantes do poder público e sociedade civil, que debateram e construíram propostas nos três eixos orientadores à 5ª conferência estadual e nacional. Para a nutricionista da superintendência de Inclusão e Segurança Alimentar da SJDHDS, Zelice Pessoa, “a comida de verdade baseia-se em alimentos produzidos por sistemas de produção de base agroecológica, sem uso de agrotóxicos e transgênicos, para uma alimentação que não gere doenças crônicas e que seja saudável o suficiente para o equilíbrio nutricional”.

Avanços – 

O balanço sobre as ações do Governo do Estado realizadas entre 2011 e 2015 mostrou melhoria na qualidade vida das famílias do território Sertão do São Francisco. De acordo com os conferencistas, houve diminuição da mortalidade infantil, da insegurança alimentar grave e do índice de pobreza. Os resultados foram alcançados por meio do INVESTIMENTO em Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) para mais de 10 mil famílias, transferência de renda, ampliação de tecnologias sociais de captação de água de chuva, regulação do uso da água do subsolo e da bacia hidrográfica do São Francisco, não permitindo o uso desproporcional pelo agronegócio, distribuição de sementes criolas para os agricultores familiares. Para Yoná Pereira, “mesmo diante de consideráveis avanços, um longo caminho é necessário percorrer para que possamos declarar este território como um lugar que promove a soberania alimentar de sua população e que faz valer plenamente o direito humano e a alimentação de qualidade para seu povo.

Alerta 
Durante o encontro, foram pontuados fatores que põem em risco a segurança alimentar e nutricional da população. As áreas com maior disponibilidade de água e umidade, às margens do rio São Francisco, são as que menos produzem alimentos para a região. Nessas áreas, estão presentes os perímetros irrigados da fruticultura de exportação. A pesca artesanal no rio São Francisco e no Lago de Sobradinho, que traz para a população alimentos de alto valor proteico, está ameaçada devido à crise hídrica que assola a região e por causa pesca predatória. Outro fator é o uso de agrotóxicos no território, principalmente no plantio de cana-de-açúcar e fruticultura irrigada, utilizando inclusive pulverização aérea, provocando uma série de danos à saúde dos trabalhadores e do ambiente. Para o professor Roosevelt Duarte, a preservação do Rio São Francisco é uma pauta que não poderia deixar de ser discutida durante a conferência."Precisamos conservar o Velho Chico, dele depende a nossa  sobrevivência".