10/09/2020
Já pensou em transformar sacos de ração em sacolas de compras? É exatamente isso que adolescentes e jovens, em cumprimento de medida socioeducativa na Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), estão aprendendo a produzir durante oficina que visa promover o empreendedorismo sustentável entre os educandos da Comunidade de Atendimento Socioeducativo (Case) Irmã Dulce, uma das unidades do órgão.
Com baixo custo de produção, em torno de R$ 3, é possível fazer ecobags, bolsas tiracolo e carteiras – atividades artesanais que podem ser usadas como fonte de renda pelos socioeducandos, caso queiram, após o período de cumprimento da medida.
De acordo com a pedagoga e educadora de medida, Cleide Souza, que atua na Case, todo o projeto foi idealizado com foco na sustentabilidade. “A proposta é dar visibilidade para o que seria jogado fora”, afirmou, enquanto ensinava o processo de confecção durante a oficina. Ainda de acordo com ela, as sacolas, após produção, podem ser comercializadas por até R$ 20, a depender do tamanho. E mais: práticas, as ecobags levam, no máximo, cinco minutos para serem finalizadas.
Tudo começa pela higienização dos sacos de ração, que são separados, higienizados e cortados pela equipe pedagógica da Fundac, órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia. Com os moldes em mãos, os adolescentes iniciam a arte da transformação, com o uso de máquina de costura e linha. Em poucos minutos, as ecobags estão prontas.
Para a coordenadora pedagógica interina da Irmã Dulce, Rilena Rosas, os materiais são doados pelos próprios trabalhadores da unidade e o ensino é feito por etapas, com grupos de adolescentes limitados, que não têm acesso aos materiais cortantes. Ela ainda afirma que a atividade vem sendo bem recebida entre os jovens, que não mostraram nenhuma resistência à prática da costura. “Além das sacolas, os educandos também participam de oficina de confecção de puffs com garrafas pets”, explica. Mais minucioso, o processo exige um número maior de itens, tais como: garrafas, material para estofado, papelão e tecido para envolver e decorar os puffs.
Quem ganha com todo esse aprendizado são os educandos. O adolescente, D.A.J, que tem como uma das opções de formação profissional a área da Administração de Empresas, já pode enveredar pelo ramo da produção dos itens aprendidos ao longo das oficinas, ao sair da Case. “Eu vejo que o período de medida socioeducativa não foi um tempo perdido. Hoje, eu sei fazer bolsas e puffs artesanais. Essa oportunidade de aprendizado que eu tive, aqui, eu pretendo levar lá pra fora e montar o meu próprio negócio”, afirmou.