02/05/2019
Camila Cerqueira tem 20 anos e um sonho: transformar a casa de madeira que mora em uma de alvenaria. Há quase um mês trabalhando como estagiária aprendiz do Programa Corra pro Abraço, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Estado da Bahia (SJDHDS), a jovem moradora da comunidade do Beiru-Tancredo Neves, em Salvador, afirma que com o novo trabalho está bem próxima de realizar o desejo de deixar o lar com estrutura melhor. Ela mora com a filha, Mile Vitória, de 4 anos e o companheiro, que é gesseiro, mas atualmente está desempregado. “Nunca esperava que ia acontecer esse trabalho e fico grata. Do jeito que está indo, meu futuro pode ser bom. Quero aprender as coisas que não sei. E agora posso até comprar uma roupa, além de blocos para a construção da minha casa. O auxílio do Bolsa Família que recebemos dava só para a comida mesmo”, compartilha.
Este é o primeiro emprego de Camila que, antes de integrar a equipe do Corra pro Abraço, participou das oficinas com jovens do Corra Juventude, no bairro onde vive, e também do curso de Redução de Danos e Referência de Campo, ambos realizados pela iniciativa estadual.
Neste 1º de maio de 2019, Dia do Trabalhador, o Corra pro Abraço traz nesta matéria especial, histórias de vida de pessoas que mudaram seus rumos após adquirir um emprego formal. Histórias como a da jovem de sorriso cativante, que quer seguir na área da administração. “Já aprendi a fazer tabelas e a mexer melhor no computador. Antes eu nunca nem sabia o que era ‘Word’. Quero aprender logo tudo de vez, mas sei: tem de ser aos poucos. Eu não esperava área nenhuma de trabalho, mas chegou essa [administrativa] e achei interessante”, conta a jovem criada pela avó. “Ela está muito orgulhosa de mim”, finaliza a estudante que faz supletivo do 1º e 2º ano do ensino médio.
Assim como Camila, Emily Souza, 18 anos, também integra o Corra pro Abraço como aprendiz, apoiando a equipe da Comvida – Comunidade Cidadania e Vida, nas demandas relacionadas a gestão do serviço. “Tudo é novo e diferente para mim. Nunca tive carteira assinada, mas já panfletei na sinaleira e fui vendedora por um tempo. Agora me sinto também como uma aluna no estágio, pois tenho aprendido constantemente. E está servindo para o meu raciocínio lógico”, destaca a jovem moradora da comunidade de Itinga, no município de Lauro de Freitas, onde participou das atividades do Corra Juventude.
A estudante do 3º ano do ensino médio revela ainda que um dos maiores aprendizados que o Corra deu para ela no curso com jovens foi sobre educação financeira. “Sou filha de costureira e motorista. Moramos em um apartamento do Minha Casa, Minha Vida. Sempre busquei ajudar meus pais. Com o salário posso pensar como contribuir em casa e saber no que investir”, enfatiza Emily. E completa: “Estou gostando. Não tenho computador, só celular. Fazer essas coisas parece cena de filme”.
Além das jovens que integram o Corra pro Abraço, outros caminhos foram possíveis através do trabalho nas vidas de pessoas que passaram pelo serviço. Como são os casos de Elizete e Wagner. Atualmente ambos atuam na área da limpeza. Wagner Oliveira, 39, foi a primeira pessoa encaminhada ao Corra pro Abraço pelo Núcleo de Prisão em Flagrante do Tribunal de Justiça (TJ/BA), por meio de medida cautelar, após liberdade provisória, em 2016. “A vinculação dele conosco nas atividades de arte-educação na região do Aquidabã foi muito legal. Ele não estava em situação de rua, mas em momentos de desorganização ficava. Quando conseguiu um trabalho com limpeza pública, isso fez toda a diferença. Ele ficou feliz. Sempre nos mandava fotos de farda e com carteira de trabalho na mão”, compartilha a educadora jurídica Alessandra Coelho.
“Eu estava cego na dependência do uso do crack. Depois que saí da prisão passei humilhações com o pessoal do bairro e na minha família. Foi então que fui trabalhar como zelador em uma faculdade. Fiquei seis meses, mas o salário estava pouco. Lá conheci um empresário que me indicou para uma empresa de limpeza, onde estou há dois anos trabalhando como gari. Trabalhar mudou minha autoestima. Estou mais centrado, sei o que quero na vida e reconquistei a confiança das pessoas”, revela Wagner. Segundo Luzimar Santana de Oliveira, mãe dele, o apoio e orientação do Corra pro Abraço, por meio dos educadores jurídicos e psicólogos, foi essencial para a mudança. “Um suporte muito importante que o abraçou de verdade”, enfatiza a avó de Vitor Hugo, filho de Wagner, com 4 anos.
Elizete Matos, de 42 anos, há um ano trabalha como serviços gerais no Projeto Axé e diz que a vida melhorou muito depois que conseguiu o emprego. “Quando eu estava desempregada não tinha nada para fazer, só mesmo as oficinas do Corra. Mas sem trabalho eu estava sem saber o que fazer”. Após a contratação ela relata que teve ganhos na relação com a família. “Antigamente tinha muita briga. Agora não. Tenho de onde tirar meu sustento e dos meus filhos. Tenho apoio da minha filha mais velha, de 25 anos, que toma conta dos quatro irmãos. Também estou conseguindo comprar minhas coisas aos poucos. Já comprei a minha geladeira”, ressalta Zete, como é conhecida.
Ela mora no Conjunto Habitacional do Pilar, no Comércio, e conta que o emprego era a única coisa que lhe faltava. “Eu já estava em tempo de ficar doida. Ter trabalho é tudo. Sem a pessoa se vê assim, para baixo, desmotivada, como eu estava. Com meu emprego coloco alimento na mesa para meus filhos. Vou juntando dinheiro. Antes morava nos barracos de tábua na Ladeira do Pilar, mas fizeram o conjunto para os moradores de lá e do Taboão, porque estávamos em área de risco”, conta Elizete que, assim como Camila, Emily e Wagner, estão alçando novos voos a partir do investimento de serviços públicos e do fundamental: a oportunidade.
Este é o primeiro emprego de Camila que, antes de integrar a equipe do Corra pro Abraço, participou das oficinas com jovens do Corra Juventude, no bairro onde vive, e também do curso de Redução de Danos e Referência de Campo, ambos realizados pela iniciativa estadual.
Neste 1º de maio de 2019, Dia do Trabalhador, o Corra pro Abraço traz nesta matéria especial, histórias de vida de pessoas que mudaram seus rumos após adquirir um emprego formal. Histórias como a da jovem de sorriso cativante, que quer seguir na área da administração. “Já aprendi a fazer tabelas e a mexer melhor no computador. Antes eu nunca nem sabia o que era ‘Word’. Quero aprender logo tudo de vez, mas sei: tem de ser aos poucos. Eu não esperava área nenhuma de trabalho, mas chegou essa [administrativa] e achei interessante”, conta a jovem criada pela avó. “Ela está muito orgulhosa de mim”, finaliza a estudante que faz supletivo do 1º e 2º ano do ensino médio.
Assim como Camila, Emily Souza, 18 anos, também integra o Corra pro Abraço como aprendiz, apoiando a equipe da Comvida – Comunidade Cidadania e Vida, nas demandas relacionadas a gestão do serviço. “Tudo é novo e diferente para mim. Nunca tive carteira assinada, mas já panfletei na sinaleira e fui vendedora por um tempo. Agora me sinto também como uma aluna no estágio, pois tenho aprendido constantemente. E está servindo para o meu raciocínio lógico”, destaca a jovem moradora da comunidade de Itinga, no município de Lauro de Freitas, onde participou das atividades do Corra Juventude.
A estudante do 3º ano do ensino médio revela ainda que um dos maiores aprendizados que o Corra deu para ela no curso com jovens foi sobre educação financeira. “Sou filha de costureira e motorista. Moramos em um apartamento do Minha Casa, Minha Vida. Sempre busquei ajudar meus pais. Com o salário posso pensar como contribuir em casa e saber no que investir”, enfatiza Emily. E completa: “Estou gostando. Não tenho computador, só celular. Fazer essas coisas parece cena de filme”.
Além das jovens que integram o Corra pro Abraço, outros caminhos foram possíveis através do trabalho nas vidas de pessoas que passaram pelo serviço. Como são os casos de Elizete e Wagner. Atualmente ambos atuam na área da limpeza. Wagner Oliveira, 39, foi a primeira pessoa encaminhada ao Corra pro Abraço pelo Núcleo de Prisão em Flagrante do Tribunal de Justiça (TJ/BA), por meio de medida cautelar, após liberdade provisória, em 2016. “A vinculação dele conosco nas atividades de arte-educação na região do Aquidabã foi muito legal. Ele não estava em situação de rua, mas em momentos de desorganização ficava. Quando conseguiu um trabalho com limpeza pública, isso fez toda a diferença. Ele ficou feliz. Sempre nos mandava fotos de farda e com carteira de trabalho na mão”, compartilha a educadora jurídica Alessandra Coelho.
“Eu estava cego na dependência do uso do crack. Depois que saí da prisão passei humilhações com o pessoal do bairro e na minha família. Foi então que fui trabalhar como zelador em uma faculdade. Fiquei seis meses, mas o salário estava pouco. Lá conheci um empresário que me indicou para uma empresa de limpeza, onde estou há dois anos trabalhando como gari. Trabalhar mudou minha autoestima. Estou mais centrado, sei o que quero na vida e reconquistei a confiança das pessoas”, revela Wagner. Segundo Luzimar Santana de Oliveira, mãe dele, o apoio e orientação do Corra pro Abraço, por meio dos educadores jurídicos e psicólogos, foi essencial para a mudança. “Um suporte muito importante que o abraçou de verdade”, enfatiza a avó de Vitor Hugo, filho de Wagner, com 4 anos.
Elizete Matos, de 42 anos, há um ano trabalha como serviços gerais no Projeto Axé e diz que a vida melhorou muito depois que conseguiu o emprego. “Quando eu estava desempregada não tinha nada para fazer, só mesmo as oficinas do Corra. Mas sem trabalho eu estava sem saber o que fazer”. Após a contratação ela relata que teve ganhos na relação com a família. “Antigamente tinha muita briga. Agora não. Tenho de onde tirar meu sustento e dos meus filhos. Tenho apoio da minha filha mais velha, de 25 anos, que toma conta dos quatro irmãos. Também estou conseguindo comprar minhas coisas aos poucos. Já comprei a minha geladeira”, ressalta Zete, como é conhecida.
Ela mora no Conjunto Habitacional do Pilar, no Comércio, e conta que o emprego era a única coisa que lhe faltava. “Eu já estava em tempo de ficar doida. Ter trabalho é tudo. Sem a pessoa se vê assim, para baixo, desmotivada, como eu estava. Com meu emprego coloco alimento na mesa para meus filhos. Vou juntando dinheiro. Antes morava nos barracos de tábua na Ladeira do Pilar, mas fizeram o conjunto para os moradores de lá e do Taboão, porque estávamos em área de risco”, conta Elizete que, assim como Camila, Emily e Wagner, estão alçando novos voos a partir do investimento de serviços públicos e do fundamental: a oportunidade.
União para transformação social
“A maioria das pessoas oriundas de locais mais empobrecidos, sobretudo aquelas com o perfil de público atendido pelo programa, como pessoas em contexto de rua, egressos do sistema prisional, jovens de bairros periféricos, possuem muita dificuldade em conseguir trabalho. É importante que setores governamentais e privados possam construir oportunidades para estas pessoas que sofrem com estigmas diversos, como criminalização da pobreza, racismo, questões com a justiça, entre outros”, destaca Trícia Calmon, Coordenadora Geral do Corra pro Abraço.
Para Valnei Silva, presidente da Comvida, mais empresas deveriam abrir as portas para pessoas em situações de pobreza e extrema vulnerabilidade “Apenas assim podemos interromper com os ciclos de violação de direitos. Há dificuldade de inserção no mercado e nós, que estamos a frente de empresas, instituições e organizações, podemos mudar esse cenário. Nossa função, por exemplo, com as aprendizes, é ensinar e não esperar que venham prontas. Queremos capacitá-las para permanecerem na empresa ou seguirem para novos desafios”.
Para Valnei Silva, presidente da Comvida, mais empresas deveriam abrir as portas para pessoas em situações de pobreza e extrema vulnerabilidade “Apenas assim podemos interromper com os ciclos de violação de direitos. Há dificuldade de inserção no mercado e nós, que estamos a frente de empresas, instituições e organizações, podemos mudar esse cenário. Nossa função, por exemplo, com as aprendizes, é ensinar e não esperar que venham prontas. Queremos capacitá-las para permanecerem na empresa ou seguirem para novos desafios”.