Em Plataforma, a paisagem é marcada pelo contraste do mar da Baía de Todos os Santos cercado das pequenas casas incrustadas nas montanhas, que revelam o esforço das comunidades na sua luta cotidiana por respeito e dignidade. É lá do alto – de onde se avista um fantástico por do sol – que 125 jovens em situação de vulnerabilidade social, alunos da nova turma do programa Educar para Construir, do Governo do Estado, são instigados a refletir sobre poder pessoal, autoestima, preconceito, oportunidades, violência e futuro.
Estes assuntos foram tratados na aula inaugural realizada na tarde de ontem (6) com as cinco novas turmas do programa (duas exclusivas para mulheres), além de alunos de turmas já iniciadas, que lotaram o auditório do Centro Cultural Plataforma para um encontro com a superintendente de Direitos Humanos da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), a advogada Anhamona Brito.
A aula-conversa reuniu alunos dos cursos de Eletricista, Pintor, Construção Predial, Carpinteiro e Almoxarifado. Para esses jovens de 16 a 24 anos, mais do que uma possibilidade de inserção imediata no mercado de trabalho, o curso abre as portas para novas possibilidades.
Direito ao sonho – “Estamos aqui para lembrar a esses jovens que eles são detentores de direitos e que esta oportunidade deve ser agarrada com determinação para que possa resultar em transformação pessoal e profissional”, disse a superintendente Anhamona Brito. Da plateia, Jamile Costa (21), aluna do curso de almoxarifado e já empregada em uma empresa de engenharia, conta que “o curso ajuda na profissionalização para o mercado de trabalho, me dá oportunidade de crescer, mas uma das coisas mais importantes que aprendi aqui foi que a gente tem que falar o que a gente pensa de verdade – e não o que os outros querem que a gente pense”, disse Jamile, que tem planos de ser médica ou advogada.
Elevação da escolaridade, educação para o trabalho, inserção em postos de emprego e incentivo ao protagonismo juvenil são as principais metas do programa, segundo Jabes Soares, coordenador Estadual de Políticas para a Juventude da SJDHDS. Resultado de parceria entre a secretaria e a ONG Cooperação para o Desenvolvimento e Morada Humana (CDM), o Educar para Construir tem a meta de capacitar jovens de 16 a 24 anos, em vulnerabilidade social, para a promoção da autonomia e inclusão social, através da formação na área de construção civil, com disciplinas específicas voltadas para a formação humana e prática. O projeto já certificou 2.900 jovens, com o encaminhamento de 2.550 para o mercado de trabalho. Além disso, já formou 30 jovens em cumprimento de medida socioeducativa na Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), em Salvador.
Trampolim – Segundo Eberval Reis, coordenador da ong Cooperação para o Desenvolvimento e Morada Humana (CDM), que apresentou a equipe de professores às novas turmas, são inúmeros o exemplos positivos de jovens que se tornaram professores, engenheiros e empresários após passarem pelo curso. “Nenhuma intervenção social é pertinente sem considerar a pessoa integral. Esse pensamento é que dá ao programa a dimensão de possibilitar mudanças. Mesmo que a formação dada não seja o que o jovem quer pra sua vida, ela se torna um caminho essencial”, disse.
O Educar para Construir é um dos 11 projetos que fazem parte do programa Jovens Baianos, da coordenação de Juventude, criado com o objetivo de implementar ações político-pedagógicas voltadas para o desenvolvimento de jovens na faixa etária de 15 a 29 anos, por meio de formação cidadã e qualificação profissional, tendo como alvo a inclusão sócio-produtiva e o protagonismo. Desde então, 25 mil jovens foram beneficiados. É executado com recursos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza FUNCEP, por meio de parceria com organizações não governamentais.
Educar para Construir reúne mais de 200 alunos em aula inaugural
05/05/2015