30/09/2021
Mais uma edição do “Falando sobre Direitos Humanos”, debate promovido pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), aconteceu na tarde de quarta-feira (29). Desta vez, com o tema “Os Mártires do Cururupe: memórias da batalha dos nadadores e narrativas do genocídio indígena nos tempos atuais”. O encontro aconteceu no canal do Youtube da SJDHDS. O debate foi mediado pelo superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Jones Carvalho, e contou com as participações de Cacica Valdelice Tupinambá; do antropólogo, José Carlos Tupinambá; e da antropóloga, Daniela Alarcon.
A live fez menção a Batalha dos Nadadores, ocorrida em 1559, quando povos indígenas, Tupinambá e Tupiniquim, foram cercados e massacrados pelos homens do então governador-geral do Brasil, Mem de Sá. Acuados na praia, a maior parte sofreu afogamento. Os corpos foram estendidos um após o outro, somando seis léguas de índios mortos.
“O massacre é um processo e os Tupinambás, ainda hoje, sofrem com essa mesma problemática, apesar dos direitos garantidos pela Constituição. A gente sabe que sempre há o intuito de desqualificar e criminalizar o povo indígena, essa é uma forma de tirar a legitimidade dos povos para justificar a tomada das suas terras”, ressaltou o superintendente Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, Jones Carvalho.
Na ocasião, a Cacica Valdelice Tupinambá, relatou o cenário difícil em que o seu povo se encontra.“Hoje estamos numa situação muito difícil, não conseguimos ter segurança para si e nem para os parentes. Desde quando começamos o processo de retomadas das terras, nossa situação é a pior possível. Às vezes me sinto sem forças, porque eu como cacique, não consigo dar segurança ao meu povo”, declarou Valdelice Tupinambá.
Ainda durante a roda de conversa, a antropóloga, Daniela Alarcon, enfatizou que a violência contra o povo Tupinambá ainda se faz presente.
“Dialogar sobre os Mártires do Cururupe, não é falar de algo remoto no tempo, a persistência da violência contra os povos Tupinambá permanece. São reivindicações do presente, sobretudo, ligadas a questões territoriais. Corpos e territórios são desapropriados e tomados o tempo todo, sempre com o argumento inexorável do desenvolvimento”, afirmou Daniela Alarcon.