30/09/2015
Construída por negros bantos escravizados no período colonial brasileiro (século XVIII), a Igreja do Rosário dos Pretos celebrou, na tarde da última terça-feira (29), o encerramento da programação 330 Primaveras Musicais, que contou com a participação da Orquestra de Câmara do NEOJIBA (OCN), que integra o Programa Neojiba, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). Sob a regência do maestro Pino Onnis e composta por 23 instrumentistas, a OCN apresentou o concerto solo formado por três peças musicais: Prelúdio da Bachiana Brasileira, de Heitor Villa Lobos, Concerto para duas floratas, de Telemann, e a Pequena Serenata, de Mozart.
O evento teve a participação do chefe de gabinete da SJDHDS, Kívio Dias, da coordenadora do Programa Neojiba nos Bairros, Ana Vilas Boas, da vereadora Aladilce Souza, do Prior da Igreja do Rosário dos Pretos, Leomar Borges, e do membro do Conselho Econômico, Antônio Leal. Para Kívio, “a história de vida dos jovens e adolescentes que compõem o programa Neojiba é semelhante à história de resistência e luta do povo negro, que construiu a Igreja Rosário dos Pretos”.
História
A Igreja da Ordem Terceira do Rosário de Nossa Senhora às Portas do Carmo, mais conhecida como Igreja do Rosário dos Pretos, foi fundada em 1685, por uma das primeiras irmandades dos homens pretos do Brasil. A Irmandade foi elevada à categoria de ordem terceira em dois de julho de 1899. É uma associação religiosa sem fins lucrativos, de pessoas negras católicas de ambos os sexos que, ao longo do tempo, se consolidou como espaço de fortalecimento da identidade negra e preservação da cultura afro-brasileira. De acordo com Leomar Borges, “a Rosário dos Pretos é um espaço de tradição, de religiosidade e fé, dos negros católicos e também daqueles que querem celebrar a religiosidade sob o som de instrumentos e cânticos afro-brasileiros, além de utilizar o corpo como forma de expressão ao sagrado”.
Sobre a OCN - A Orquestra de Câmara do NEOJIBA (OCN) é a formação mais recente do Programa. A OCN propõe novos aspectos na formação dos membros do NEOJIBA, oferecendo-lhes a oportunidade de contato contínuo com um dos repertórios mais ricos e significativos na história da música ocidental, além de espaço para desenvolvimento das habilidades de diálogo musical e humano em um grupo menor e de excelência.