15/11/2018
O Conselho Estadual LGBT da Bahia, instância de participação e controle social instituída pela Lei de N°12.946, de 10 de fevereiro de 2014, vem a público expressar o seu pesar aos familiares e o seu repúdio à violência contra a população LGBT na Bahia.
Desde a promulgação do resultado das eleições, no dia 28 de outubro de 2018, temos visto inúmeros casos de violência psicológica e física, autorizadas pelo discurso de ódio contra a diversidade sexual e de gênero.
Raphaella Souza, 32 anos, mulher transexual, estudante de serviço social, cabeleireira, que cuidava de sua mãe e sustentava sua casa, também conselheira do Conselho Estadual dos Direitos da População de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (CELGBT), representante do Coletivo Finas de Vitória da Conquista, foi assassinada na noite passada (14), véspera de feriado, com 3 tiros na cabeça no bairro Miro Cairo em Vitória da Conquista.
Lamentavelmente esse é mais um crime cometido contra a população LGBT, desta vez, no estado da Bahia. No Brasil, uma pessoa LGBT é assassinada a cada 24 horas, com maior violência praticada contra travestis e transexuais devido as diversas vulnerabilidades que recortam as suas vivências. O preconceito e discriminação contra a população LGBT é vista de maneira mais agravada por conta da transfobia - termo utilizado por nós para qualificar o ódio, a intolerância e a desumanização dos corpos de pessoas travestis, transexuais e transgêneros. Infelizmente só esse ano até 5 de novembro, segundo dados da Associação Nacional das travestis e transexuais (ANTRA), foram registrados 141 assassinatos de travestis e transexuais no Brasil. A Bahia é o segundo estado no ranking com mais vítimas pela transfobia, já são 12 assassinatos, contando com Raphaella Souza. A violência contra travestis e transexuais tem crescido e pouco tem sido investigado reforçando a dimensão da transfobia institucional e estrutural.
Neste sentido, o Conselho Estadual LGBT da Bahia, conclama os órgãos de acolhimento, justiça e investigação, especificamente o Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT da Bahia, o Ministério Público da Bahia e a Secretaria de Segurança Pública, para que sejam céleres nas tomadas de providências cabíveis.
Queremos a nossa população viva e feliz pois este é um direito de toda e todo cidadã e cidadão. Não descansaremos até que este e os demais crimes sejam solucionados. Contamos com as parceiras da Rede de Enfrentamento a Violência contra LGBT da Bahia para elucidar mais esse grave atentado contra nossas vidas.
Aos parentes e amigos de Raphaella Souza, apresentamos nossas condolências e solidariedade. Seremos resistência nesses tempos de ódio e fascismo. Cada LGBT que for tombado, teremos no CELGBT e na política pública que temos elaborado, um ponto de apoio e pressão pelo resguardo e proteção de nossas vidas.
Raphaella Souza presente, agora e sempre. A resistência continua!
Salvador, 15 de novembro de 2018
Conselho Estadual LGBT da Bahia