Serviço Viver promove debate para profissionais sobre como identificar e proceder diante de abuso sexual

31/05/2021
Com o tema “Abuso Sexual: o que é, como identificar e proceder diante da situação”, o Serviço Viver,  equipamento da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS),  promoveu uma live, nesta segunda-feira (31), para alertar a sociedade sobre as violências sexuais cometidas contra crianças e adolescentes. O evento virtual foi transmitido pelo canal do Youtube da SJDHDS e contou com a mediação da coordenadora do equipamento, Divonete Santana. 

A convite do Viver, o debate contou com a participação de Fernanda Jota, mestre em Psicologia Clínica e Culturaspecialista em Teoria Psicanalítica em Brasília, e de Ludmile Deiró, psicóloga Técnica de Referência do Viver e mestre em Desenvolvimento Humano e Responsabilidade Social.  Ambas dialogaram sobre  a importância da criança e do adolescente serem “enxergados” e ouvidos no contexto familiar e extrafamiliar ao apresentarem mudanças físicas, psicológicas e cognitivas. 

“As consequências psicopalógicas de um adolescente ou criança que vive em situação de violência sexual são inúmeras. Quando não conhecemos os sinais, os indícios dados pela vítima de que ela pode estar sofrendo abusos, e não investigamos, damos espaço para que a violação aconteça”, esclareceu a psicóloga Fabiana Jota. 

De acordo com a psicóloga, alguns sinais são alertas para a família estar atenta, como mudança brusca de comportamento. "Um xixi na cama que não tinha mais, ou ainda, uma criança de sete anos, por exemplo, que é  diagnosticada com HPV, infecção urinária recorrente, são situações que ascendem o alerta para que a família não feche os olhos", alerta ela.

“Muitas vezes essa violência é silenciosa, guardada entre a vítima e o abusador, isso é chamado de síndrome do segredo, em que o abusador ameaça a criança caso ela conte a alguém. Nos adolescentes, os sinais preocupantes são a automutilação, fuga de casa, quadro depressivo e transtorno ansioso muito evidente e repentino. É preciso observar, duvidar e investigar, pois podem ser índicos de violências sexuais”, completou Fabiana Jota.  

“É importante discutir, informar e conscientizar acerca de aspectos importantes sobre do abuso sexual, instrumentalizar a sociedade, a família sobre os sinais dessa agressão em crianças e adolescentes, e intensificar o debate das ações intersetoriais voltadas para a temática, com foco na redução de incidências deste tipo de violência, sobretudo vivenciados durante o período da pandemia da Covid-19”, afirmou Divonete Santana. 

Com 20 anos de serviço prestado em atenção a pessoas em situação de violência sexual, o Viver foi criado a partir da constatação de que dentre as muitas manifestações da violência, a sexual resulta em graves rupturas que a tornam digna de uma atenção especial. O equipamento atende, prioritariamente, crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, de Salvador e Região Metropolitana, e está localizado no Instituto Médico Legal – IML.

“A criança quando passa por uma situação de violência sexual tem medo de não ser levada a sério, medo do castigo e, com isso, muitas negligências acontecem. Temos buscado atender e acolher cada vez mais os usuários que chegam ao serviço, acionando toda a rede de proteção para dar suporte a vítima e instrumentalizar a família que passa pela situação”, declarou Ludmile Deiró, psicóloga Técnica de Referência do Viver.


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