17/11/2021
Sabe aquela comidinha caseira, bem saudável, que parece que foi feita pela vovó? Aquele famoso tempero a mais, que só ela conhece, pode estar bem ao seu alcance: na varanda ou no quintal da sua casa. Basta saber cultivar, cuidar e colher as hortaliças que melhor combinem com o seu prato do dia, e bom apetite!
E não é que os produtos cultivados em hortas combinam com quase tudo, mesmo? No prato básico de qualquer brasileiro têm-se grãos, proteína e a famosa saladinha para dar aquele toque colorido a mais. Toque este que dispensa comentários quando o assunto é manutenção da saúde, qualidade de vida e sustentabilidade.
A arte do reaproveitamento de alimentos e uso da própria horta para temperar ou servir de acompanhamento está sendo usada por adolescentes e jovens, em privação de liberdade, que cumprem medida socioeducativa na Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), órgão da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social. Os educandos, como são chamados, participam de Oficina de Técnicas Agrícolas, na qual eles aprendem a semear frutos e frutas e associá-los a receitas que se adaptam ao cardápio do dia.
Hoje, no prato posto à mesa, havia tomates, cebolinhas e coentro; um arrozinho caseiro e uma proteína a gosto. Além das hortaliças, os educandos também fazem uso dos chás medicinais que também são plantados por eles.
De acordo com Jaciene Ferreira, coordenadora pedagógica de articulação da Case Mello Mattos, as atividades também possuem um efeito terapêutico entre os educandos. "É notória a tranquilidade com que eles manuseiam a terra e cuidam da horta, que é a oficina mais requisitada da unidade", disse.
Já José augusto de Oliveira, instrutor da atividade, disse que o empenho dos educandos é integral. “Se pudessem ficariam o dia todo na horta, além de produzir lanches, tais como saladas e hambúrgueres, como já ocorreu em ocasiões passadas. "No início, nós mostramos como eram feitos o preparo do solo, a irrigação, dentre outros e, hoje, eles fazem praticamente tudo sozinhos. Muitos dizem até que querem atuar na área agrícola, no pós-medida", afirmou.
Para o educando Matheus Santos (nome fictício) a satisfação é grande em participar de um projeto como este. "A gente plantou, colheu, viu crescendo e, agora, a gente está aqui fazendo tudo isso. Quando saí daqui já tenho um futuro pela frente", concluiu.