01/12/2021
De forma pioneira, o Conselho Estadual de Assistência Social (CEAS-BA), órgão vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS), lançou a Pesquisa “Escuta Qualificada dos Usuários e Usuárias do SUAS”, em julho deste ano. Os resultados do levantamento foram apresentados nesta segunda-feira (29), na palestra “Achados da Escuta Qualificada aos usuários do SUAS/BA, durante a abertura da 13° Conferência Estadual de Assistência Social.
A palestra ministrada por Lara Matos, conselheira estadual, abordou os principais dados levantados na pesquisa, que contou com a análise de 362 questionários, respondidos por 42 municípios de 19 Territórios de Identidade, que participaram da escuta qualificada.
O objetivo maior da pesquisa é ampliar e fortalecer a presença ativa dos usuários e usuárias em todos os momentos da política de assistência social na Bahia. É uma iniciativa que fomenta a participação de quem acessa as seguranças socioassistenciais, escutando-os/as nesse primeiro instante.
Num dos percentuais apresentados, foi revelado o aumento da procura da população pelos equipamentos e serviços da assistência social.
“Entre os usuários, 58,9% chegaram por demanda espontânea, isso revela o aumento das desigualdades sociais. Essa procura espontânea foi potencializada pelas circunstâncias da pandemia”, enfatizou a conselheira.
Ainda na apresentação, foi destacado que 79,4% dos usuários sinalizaram que a unidade SUAS contribuiu para que conhecessem seus direitos e 74,1% das pessoas já acessaram sobre a política por algum meio da comunicação, estratégia fundamental na garantia de informação ao público.
Em outra questão, 97,5% afirmam que recomendariam o equipamento a um amigo, parente ou colega. “A relevância e a recomendação podem estar diretamente relacionadas à relação de confiança entre os usuários e o equipamento. Assim como, ao nível de informação adquirida na construção desse vínculo”, destacou Lara Matos.
Na análise dos parâmetros sobre participação dos usuários, os dados revelaram que 75,7% nunca esteve representando usuários do equipamento, o que evidencia a necessidade de reorientar esse ponto fundamental na efetivação do SUAS.
“É a primeira vez que no processo conferencial, conseguimos garantir essa escuta de quem utiliza a Política da Assistência Social, isso propicia uma interlocução com o Poder Público e que vai nos auxiliar a cada vez mais, dar e voz aos sujeitos dessa política”, enfatizou Leísa Sousa.
Membro da Frente Nacional em Defesa do SUAS e da Seguridade Social e ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes, comentou a pesquisa e reforçou a importância da realização da Conferência.
“Essa é uma Escuta muito importante. É bom saber que os usuários têm uma visão dos serviços, das equipes e sobre o contexto nacional. Este ano, as conferências, tem um sentido muito mais político e forte do que em outro tempos, nos vínhamos numa caminhada de evolução, de implementação e efetivação da assistência social como política pública e atualmente, infelizmente estamos vivenciando um processo de ataques à esses direitos, numa conjuntura muito difícil. Este é um momento fundamental para avaliar e analisar o futuro”, enfatizou Lopes.
A ascuta está disponível para acesso e tem como objetivo contribuir para a efetivação da função de vigilância socioassistencial, na medida em que esta deve produzir e organizar dados, indicadores, informações e análises.
Entre os objetivos da pesquisa estão, acompanhar as condições de acesso da população usuária da assistência social, as formas de acesso aos equipamentos, o tipo de serviço utilizado, a percepção sobre a qualidade do atendimento recebido, usos dos espaços, satisfação com a vida em geral e a percepção de qualidade de vários aspectos do atendimento recebido.