Secretário recebe demandas do Movimento 11 de Dezembro

14/05/2015

Representantes do Movimento 11 de Dezembro, criado por familiares das vítimas e sobreviventes da explosão da fábrica clandestina de fogos de artifícios, que aconteceu no município de Santo Antônio de Jesus, em 11 de dezembro de 1998, voltam a reivindicar seus direitos. Na tarde de ontem (4), a comissão foi recebida pelo Secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHS), Geraldo Reis, e a Superintendente de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos, Anhamona de Brito.

Na pauta, o pedido de providências ao Governo do Estado, para celeridade no processo que tramita contra o dono da fábrica de fogos, o pagamento da indenização para as famílias pela morte das 64 pessoas, entre elas mulheres e crianças, além das cirurgias plásticas reconstrutoras das cicatrizes dos cinco sobreviventes, que tiveram os corpos queimados com a explosão.

Presente na comitiva, Maria Madalena Santos Rocha, 62 anos, perdeu três filhas de 13, 15 e 22 anos, que trabalhavam na fábrica. Além do sofrimento com a perda, Maria Madalena assumiu a responsabilidade da criação dos dois netos, tarefa que cumpriu com bastante sacrifício, por meio da venda de acarajés, e o auxílio do Bolsa Família. Para a vendedora, a vida das pessoas que não desistiram da luta se tornou um caminho de dor e muito sacrifício. “Não pensamos apenas na indenização, queremos que seja feita justiça”, declarou Madalena.

Depois da tragédia foi construída uma creche para abrigar as 35 crianças órfãs, com o apoio das obras sociais da Paróquia de São Benedito Missionário, entidade da Igreja Católica  De acordo com Manoel Missionário, representante da Paróquia e membro do 11 de Dezembro, os donos da fábrica foram proibidos judicialmente de produzir fogos, mas nem por isso desistiram do negócio. “Eles passaram a financiar as pequenas produções clandestinas, e entregam nas residências, areia, ácido, nitrato de prata e álcool, uma mistura explosiva que coloca as crianças em risco de vida”. Segundo ele, “a presença do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), ajudou a retirar as crianças que viviam em situação de trabalho infantil, no entanto muitos ainda podem estar trabalhando na clandestinidade”. Ele afirma ainda que “algumas crianças chegam até a creche com lesões nos olhos e nas mãos, e podem ser consequência da elaboração de bombas, traques massa, e outros fogos”.

Sensibilizado com o pleito apresentado, o secretário assumiu o compromisso de juntar esforços para a gestão das demandas na esfera governamental. "A situação exige ações objetivas, vamos definir as prioridades mais urgentes, encaminhar para o governador, monitorar o andamento, e a possível resolução das demandas”, afirmou.