Capacitação debate sobre tráfico de mulheres e exploração sexual

28/07/2016
A situação das mulheres no contexto do tráfico de pessoas e as políticas de enfrentamento deste fenômeno foram discutidos, ontem (27), no auditório do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), em Salvador, no curso de Formação Inicial para Gestores e Sociedade Civil da Rede e do Comitê Baiano de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. A iniciativa, que integra a campanha “Coração Azul”, organizada pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), em parceria com a Secretaria de Política para as Mulheres (SPM), segue com sua programação até sexta-feira (29), abordando assuntos relacionados ao combate ao tráfico humano.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Trabalho Escravo da SJDHDS, Isaura Genoveva, o objetivo da capacitação é formar multiplicadores que atuem no enfrentamento ao problema. “Esse curso apresenta um panorama sobre essa questão, para que mais pessoas saibam como é executado o tráfico humano, quais as formas e práticas de aliciamento e o que se pode fazer para coibir esse crime. Nosso esforço, em conjunto com a rede parceira, é para combater essa modalidade de crime que posiciona a Bahia como quinto estado brasileiro no ranking de aliciamento para o tráfico de pessoas”, destaca.

O enfoque discutido na última quarta-feira com os representantes do Comitê Estadual de Prevenção e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, servidores públicos, profissionais que atuam nas áreas de Turismo, enfrentamento à violência, segurança pública e operadores do Direito abordou os meandros do tráfico de mulheres para a exploração sexual. Na ocasião, a palestrante Taysa Matos explicou as principais causas e consequências desse fenômeno.

"Em pleno século XXI, ainda existe o tráfico de pessoas, sendo a terceira maior movimentação econômica do mundo, e 60% das pessoas traficadas são mulheres para exploração sexual. São essas indagações que trazemos para alertar a sociedade. As mulheres ainda hoje são vistas como objeto e mercadoria por uma sociedade machista, patriarcal e branca”, explicou a palestrante, destacando que o tráfico de pessoas movimenta por ano cerca de 32 bilhões de dólares, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

De acordo com a agente voluntária de defesa social, Cristina dos Santos, a capacitação sobre o tráfico de pessoas, abordando a questão da violência contra as mulheres e o racismo, “desmistificou inúmeros preconceitos em relação a este crime e proporcionou um conhecimento mais profundo, para sabermos como abordar e combater essas práticas, nos capacitando a atuar a favor dos direitos humanos”.