Governo assina termo de expansão e lança livro sobre o Corra pro Abraço

19/05/2016
“Hoje eu estou aqui pra contar uma parte da minha história. O Corra pro Abraço  mudou a minha vida e a de muitas pessoas. Corra pro Abraço é isso aqui: “maloqueiros”, como muitas pessoas chamam na rua, moradores de rua, unidos em um só lugar como gente civilizada”. Foi esse o depoimento de Joadison Nascimento de Jesus, um dos beneficiários do projeto Corra Pro Abraço, na cerimônia de lançamento do livro 'Corra Pro Abraço: o Encontro para o Cuidado na Rua' e de assinatura da expansão do programa,  realizada nesta quarta-feira (18), no auditório do Ministério Público Estadual, no Canela. 

Participaram do evento, o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Geraldo Reis, o coordenador do Programa Pacto Pela Vida César Lisboa, a coordenadora do Centro de Referência Integral de Adolescentes (CRIA), Eleonora Rabello,  o coordenador geral do Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (CETAD/UFBA), a coordenadora do Programa na SJDHDS, Emanuelle Silva, entre outras autoridades e representantes da sociedade civil. 

Em três anos como projeto piloto, o Corra Pro Abraço realizou mais de 21 mil atendimentos à população em situação de rua, no centro antigo de Salvador. Agora,  expandido à  programa de políticas sobre drogas do Governo do Estado, coordenado pela SJDHDS em parceria como o CRIA, tem como missão garantir às pessoas que fazem uso abusivo ou nocivo de drogas, o direito a ter direitos. Composto por diversas estratégias de arte e educação, pontos de cidadania, de redução de danos, de educação político-cidadã, o Programa Corra pro Abraço, além de manter as equipes do centro antigo de Salvador (Comércio e Aquidabã), expandirá para mais quatro Áreas Integradas de Segurança Pública (AISPs), e para os municípios de Feira de Santana, Vitória da Conquista e Lauro de Freitas.
 
“Esse é um momento de prestação de contas, de consolidação de uma concepção de atendimento a esse público visto de uma forma muito preconceituosa, como nefasto à estética da cidade por aqueles que têm uma visão conservadora, e nós enxergamos esse público como pessoas, como gente, como seres humanos”, salientou secretário Geraldo Reis. Segundo Reis, não se deve criminalizar pessoas que fazem uso de drogas e que a questão tem que ser vista do ponto de vista da assistência social e da saúde.  “A intenção é empoderar essas pessoas, até então invisíveis, para que, de forma autônoma, consigam acessar a justiça, equipamentos de saúde, benefícios sócios assistenciais, políticas de segurança alimentar, qualificação profissional, como qualquer outro direito de cidadãos brasileiros”, afirmou.

Entre as novidades do Programa  está o Núcleo de Prisão em Flagrantes onde uma equipe atuará em parceria com o Tribunal de Justiça, auxiliando os juízes na tomada de decisão para discutir formas de encaminhamento dos casos. “O que se pretende é  minimizar o impacto da questão do encarceramento de jovens negros,  que terminam enquadrados como  traficantes e muitas vezes são somente usuários que precisam de tratamento”, explica a coordenadora do Programa na Superintendência de Políticas sobre Drogas da SJDHDS. Também, segundo ela,  possibilidade de ir para as bases comunitárias de segurança vai oferecer oportunidade à juventude de compreender o que é política pública sobre drogas e fazer a garantia dos seus direitos.

Parcerias - Durante a cerimônia, foram assinados os protocolos de intenção com as instituições selecionadas em edital para executar o Programa em Feira de Santana ( Associação Cristã Nacional) , Bases Comunitárias do Bairro da Paz, Beiru/Tancredo Neves, Nordeste de Amaralina e Subúrbio/Parque São Bartolomeu ( Cipó Comunicação Interativa)e Vitória da Conquista (Fundação de Administração). A execução em Lauro de Freitas, no Núcleo de Prisão em Flagrantes e no Centro Antigo de Salvador, além da coordenação geral do Programa ficará a cargo da Comunidade Cidadania e Vida (CoMvida). O valor total do programa é R$ 13.600.000,00 (treze milhões e seiscentos mil reais), oriundos do Fundo de Combate à Pobreza do Estado da Bahia, por meio da SJDHDS. O prazo de execução do convênio, a contar da data da sua assinatura, será de dois anos.

 “O  Corra pro Abraço é uma dessas ferramentas que são capazes de gerar uma nova cultura de paz, de convivência entre as pessoas, é uma conquista do nosso estado e é necessário muita  sensibilidade e devoção para que ele possa continuar, persistir, aprofundar, ampliar e cada vez ser mais uma referência de sucesso na Bahia”, afirmou o coordenador do Pacto Pela Vida, Cesar Lisboa.

Livro - Para compartilhar o aprendizado e os desafios na construção do programa,  a SJDHDS e o CRIA lançaram o livro ‘Corra para o Abraço: o Encontro para o Cuidado na Rua’, elaborado com a participação da comunidade beneficiada.  A coordenadora do CRIA explica que não se trata de uma publicação acadêmica, mas uma história contada do que a equipe aprendeu com pistas descobertas junto com os usuários. “Então esse livro pode servir de inspiração para outras pessoas, outros equipamentos, outros dispositivos, e acho que, nesse momento, no Brasil, isso ganha uma importância bem maior, porque a gente precisa ter memória, precisa se apropriar e não deixar esvair aquilo de bom que a gente construiu”, ressaltou Eleonora.
Na fala do beneficiário do Programa, o projeto transformou a mentalidade dos participantes, que hoje têm um melhor auto-conceito e com relação ao uso de substâncias psicoativas.“Esse projeto  tirou da nossa cabeça o pensamento de que a droga não tem jeito,  de que quem se jogou na droga, vai morrer na droga. Foi esse grupo que fez isso, principalmente comigo e graças a ele estou aqui para contar uma parte da minha história”.