Seminário discute ativismo das dissidências sexuais e de gênero

07/09/2015
Com show performático exibido por artistas gays, transexuais e as travestis Mitta Lux, Euvira e Rainha Loulou , foi aberto, na manhã desse sábado (05), o II Seminário Internacional Desfazendo Gênero: Ativismos das dissidências sexuais e de gênero, na sala principal do Teatro Castro Alves (TCA), em Salvador. O evento, que vai até a próxima segunda-feira (07), reúne ativistas LGBT, pesquisadores de gênero, além de gestores brasileiros, da América Latina, Estados Unidos e de vários países da Europa. 

Participaram da cerimônia de abertura o coordenador do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), Leandro Collin, a superintendente de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos (SUDH), Anhamona de Brito, e a filósofa norteamericana Judith Butler, que fez a conferência magna. Expondo sobre o tema central, Butler salientou que a representação de gênero é sempre uma negociação com o poder. 

Referência mundial nos estudos de sexualidade a partir de livros como Problemas de Gênero, Judith Butler falou também sobre a mídia e a comunicação de massa. "O espetáculo de gênero na mídia não é o mesmo que o espetáculo na vida social. As pessoas querem o espetáculo da mídia, mas, muitas vezes, não querem se aproximar dele fisicamente", afirmou. 

Seminário - Realizado pelo grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade (CUS), em parceria com a UFba, o seminário foi criado após troca de ideais entre pesquisadores e ativistas ligadas aos estudos queer no Brasil, a partir das dificuldades de inserir suas outras perspectivas teóricas, conceituais e metodológicas nos eventos já existentes no país.

Rede de dissidências - “Estamos muito felizes por essa proposta ter mobilizado tanta gente”, comemorou Leandro Colling , coordenador do grupo realizador do evento, ao ver o teatro completamente tomado. Segundo Colling, esse encontro aposta nas perspectivas que criticam as normatizações, normalizações, naturalizações e binarismos sobre as diversidades e dissidências sexuais e de gênero. 

“A ideia é, ao final do seminário, pensar na criação de uma Rede de Dissidências Sexuais e de Gênero (REDIS) que passe a ser um espaço horizontal e não institucional de trocas permanentes entre as pessoas da área e que também problematize outra geopolítica da produção do conhecimento, ao enfatizar a grande colaboração da América Latina aos estudos e políticas para o respeito às diversidades e dissidências sexuais e de gênero no mundo”.

Fora do Armário – Representando a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Anhamona Brito, superintendente de Apoio e Defesa dos Direitos Humanos (SUDH), Anhamona de Brito, elogiou a iniciativa, agradeceu pela possibilidade de parceria e falou da necessidade de provocar, não apenas o Governo do Estado, mas também a sociedade, para que sejam possíveis momentos de inclusão e pertencimento. 

Anhamona aproveitou o momento para lançar a agenda da Semana Fora do Armário, “um calendário vasto de atividades desenvolvidas com diversas movimentos sociais, sobretudo os que discutem e vivenciam todas as formas de identidade de gênero, levando às ruas de Salvador provocações interessantes e necessárias”.

O objetivo da Semana Fora do Armário é apoiar, articular e realizar um conjunto amplo e plural de atividades que antecedem a programação da 14ª Parada Gay de Salvador. 

ASCOM/SJDHDS