12/01/2016
O santo negro viveu na condição de escravo e após ganhar a liberdade dedicou-se ao trabalho de cuidar dos doentes e de doação à vida religiosa
Símbolo de resistência da cultura africana e de manutenção da identidade negra, a Igreja Nossa senhora do Rosário dos Homens Pretos reuniu, na manhã de domingo (10), religiosos, autoridades e integrantes da Irmandade dos Homens Pretos, para celebração da missa em homenagem a Santo Antônio de Categeró. A missa, celebrada pelo capelão, padre Lázaro Muniz, é uma conjugação da liturgia com a tradição afro. Os cânticos são entoados ao som de instrumentos musicais de origem africana, como o timbau, atabaque e agogô, e suas letras, com palavras de origem africana, remetem à situação do negro.
“É uma manifestação de fé e devoção muito bonita e importante para nossa cultura. Representa a força e resiliência do povo negro ao longo dos anos para garantir o direito de exercer sua religiosidade, e o resultado é essa festa linda que vemos aqui hoje”, disse o secretário. Também participaram da missa a Superintendente de Direitos Humanos, Anhamona de Brito, a técnica da Superintendência de Inclusão e Segurança Alimentar, Marta Rodrigues, e a Assessora Especial, Karelly Moreno.
A celebração contou com a presença do Frei Athaylton Jorge Monteiro Belo, o Frei Tatá, da Ordem dos Frades Menores (OFM), do Rio de Janeiro. O Frei Tatá falou sobre a fraternidade entre as religiões, lembrando que em 21 de janeiro celebramos o dia nacional de combate à intolerância religiosa. A missa promovida pela Irmandade dos Homens Pretos conta com uma participação significativa dos adeptos do candomblé. No domingo, a Ebomi Nice de Oya, da Casa Branca, também participou da homenagem a Santo Antônio de Categeró e deu a benção ao secretário Geraldo Reis.
Outro momento bastante peculiar na liturgia é o ofertório, muito diferente da cerimônia tradicional. Ao som de batidas africanas, homens e mulheres da Irmandade dos Homens Pretos dançam com cestas de frutas, pães e outros alimentos que são ofertados no altar, e divididos entre todos ao final do ritual. Durante a cerimônia, um grande terço de búzios é trazido pela Irmandade e entregue ao padre, outro símbolo que marca o sincretismo religioso da missa.
No encerramento da cerimônia, os fiéis saíram em procissão pelo Pelourinho, entoando canções de louvor a Santo Antônio de Categeró.