01/06/2015
Se reconhecer enquanto sujeito de direitos e de deveres é uma das propostas do programa Corra pro Abraço para a população em situação de rua, que vive ou convive, especialmente, em cenas urbanas de uso de drogas. Além de ações de saúde e cidadania, são realizadas atividades que estimulam a reflexão sobre as diversas possibilidades de construção de uma identidade social, não só reconstruindo uma percepção social sobre esta população, mas, principalmente, como elas se enxergam na sociedade. O programa, desenvolvido pela Superintendência de Políticas sobre Drogas, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, realizou na tarde de ontem (26), uma ação de reafirmação de autoestima de mulheres em situação de rua, com oficinas de turbantes, manicure, pedicure, moda e maquiagem.
O turbante, acessório que virou febre nas ruas soteropolitanas, já traz em sua origem uma história de resgate da autoestima da mulher negra. De tradição africana, o adorno simboliza hierarquia social e espiritual, reafirmando a estética e influências afro-brasileiras, conceitos que foram muito bem aceitos pelas mulheres que participaram da oficina, em sua maioria, negras. "Estou gostando muito, me sinto mais bonita", comemorou Mariana Vitória, moradora de rua. Para Luana Malheiros a ação resulta em um maior empoderamento dessas mulheres, e faz parte de um amplo processo de reconstrução de identidade. "Nas nossas intervenções constatamos que as mulheres em situação de rua são vítimas da opressão de gênero, trabalhar a autoestima é fundamental para ressignificar essas relações", explicou.
O resultado do trabalho será apresentado em uma exposição fotográfica no dia 11 de junho, na Unidade de Saúde da Família do Terreiro de Jesus. Participaram da ação profissionais da Unidade de Saúde da Família do Terreiro de Jesus, do 14º Centro de Saúde do Pelourinho, Consultório de Rua, do Ponto de Cidadania, além da equipe multidisciplinar do Corra pro Abraço.