31/01/2024
O Observatório Baiano de Políticas sobre Drogas realizou um estudo diagnóstico intitulado "Um retrato de nós: pessoas atendidas pelo Programa Corra pro Abraço (2019-2022)". Essa pesquisa acontece no contexto da expansão do programa, que comemorou 10 anos de existência em 2023.
As ações do programa atendem a um público amplo, envolvendo desde a população em situação de rua, jovens de bairros periféricos e pessoas em conflito com a lei. Tais ações objetivam promover o cuidado integral de pessoas que fazem uso abusivo de substâncias psicoativas em contextos de vulnerabilidade ou que são afetadas por problemas relacionados à criminalização das drogas, através de estratégias de redução de riscos e danos sociais, mobilizando o acesso a Políticas Públicas de Saúde, Assistência Social, Justiça, Cultura, dentre outros.
Nesse sentido, é fundamental a produção de dados para conhecermos os impactos das políticas públicas e também o perfil da população que é atendida pelo programa. As informações foram coletadas a partir de atividades realizadas pelas equipes que, além de qualificar os atendimentos realizados aos assistidos e educandos, também atuam rompendo o senso comum e o preconceito.
A pesquisa trouxe alguns resultados sobre o perfil sociodemográfico das pessoas assistidas pelo programa. Segundo os dados, 93,82% delas se autodeclaram negras (a soma de pretas e pardas). A maior parte é adulta (15,44% na faixa etária entre 36 a 40 anos) e do sexo masculino (68,2%). São pessoas em idade laboral e que não encontram oportunidades para obtenção de renda devido à sua condição de vulnerabilidade.
Os dados relativos à identidade de gênero registrados pelos técnicos em campo indicam que o público assistido tem uma preponderância no gênero cisgênero, com 99,15%, seguido das pessoas que se declararam como transexuais (0,84%) e não-binárias (0,01%), com 0,85% do total de pessoas assistidas.
Segundo a pesquisa, 27,3% das pessoas assistidas pelo programa, em sua maioria em situação de rua, fazem uso de crack. A maior parte delas, 72,7%, não faz uso desta substância psicoativa, contrariando boa parte do senso comum. É essencial abordar as causas profundas do uso abusivo de crack por pessoas em situação de rua, enfrentar a construção de estereótipos nocivos, bem como as reproduções racistas e políticas punitivas, as quais não são o caminho a seguir. Ao invés disso, temos que promover redes de serviços inclusivos e de apoio, que deem prioridade aos direitos humanos e ao bem-estar, pois outros caminhos são possíveis.
Seguimos no fortalecimento do Corra pro Abraço tendo, nesta pesquisa, um importante farol para formulação e articulação da política do cuidado na Bahia.
*Fabya Reis é titular da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades)
Nesse sentido, é fundamental a produção de dados para conhecermos os impactos das políticas públicas e também o perfil da população que é atendida pelo programa. As informações foram coletadas a partir de atividades realizadas pelas equipes que, além de qualificar os atendimentos realizados aos assistidos e educandos, também atuam rompendo o senso comum e o preconceito.
A pesquisa trouxe alguns resultados sobre o perfil sociodemográfico das pessoas assistidas pelo programa. Segundo os dados, 93,82% delas se autodeclaram negras (a soma de pretas e pardas). A maior parte é adulta (15,44% na faixa etária entre 36 a 40 anos) e do sexo masculino (68,2%). São pessoas em idade laboral e que não encontram oportunidades para obtenção de renda devido à sua condição de vulnerabilidade.
Os dados relativos à identidade de gênero registrados pelos técnicos em campo indicam que o público assistido tem uma preponderância no gênero cisgênero, com 99,15%, seguido das pessoas que se declararam como transexuais (0,84%) e não-binárias (0,01%), com 0,85% do total de pessoas assistidas.
Segundo a pesquisa, 27,3% das pessoas assistidas pelo programa, em sua maioria em situação de rua, fazem uso de crack. A maior parte delas, 72,7%, não faz uso desta substância psicoativa, contrariando boa parte do senso comum. É essencial abordar as causas profundas do uso abusivo de crack por pessoas em situação de rua, enfrentar a construção de estereótipos nocivos, bem como as reproduções racistas e políticas punitivas, as quais não são o caminho a seguir. Ao invés disso, temos que promover redes de serviços inclusivos e de apoio, que deem prioridade aos direitos humanos e ao bem-estar, pois outros caminhos são possíveis.
Seguimos no fortalecimento do Corra pro Abraço tendo, nesta pesquisa, um importante farol para formulação e articulação da política do cuidado na Bahia.
*Fabya Reis é titular da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades)
Artigo publicado originalmente no Jornal A Tarde, edição de 31/01/204.