30/07/2015
Agricultores familiares, representantes da sociedade civil e os municípios do território de identidade do Litoral Sul se reúnem, hoje e amanhã (30 e 31), para a etapa territorial da 5ª Conferência Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (5ª CESAN), realizada pelo Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional da Bahia (Consea-Ba), vinculado à Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS). A conferência debate a implementação da Política e do Sistema Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN) e a efetivação do direito humano à alimentação adequada e saudável. O evento está acontecendo no Itabuna Palace Hotel e irá eleger os delegados para as etapas estadual e nacional.
Representando o governador Rui Costa, o secretário de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), Geraldo Reis, compartilhou o debate com representantes das pastas de Desenvolvimento Rural, Infraestrutura Hídrica, Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Educação, além da CAR, do Incra e de autoridades dos municípios do território.
“Não podemos negar que seja importante a agroindústria. Entretanto, se não fosse a opção política de resgate da agricultura familiar e da reforma agrária, seguramente, nós não teríamos a capacidade de erradicar a fome nesse país”, disse o secretário Geraldo Reis. “Agora, temos que ter a capacidade de transformar o que construímos, utilizando instrumentos como o Programa de Aquisição de Alimentos, a questão da comercialização, dos preços, dos recursos hídricos, para criar um subsistema nos marcos da economia capitalista, que dialogue com o mercado, que dispute preço, qualidade, produtividade, mas que tenha elementos e valores que são substancialmente diferentes”.
Para o secretário, os valores vinculados à sustentabilidade ambiental, à valorização do papel da mulher e ao modo de produção estão relacionados à construção de um subsistema produtivo de consumo, de sociabilidade, de vida social que pode vir a ser uma referência para o mundo, “como já ocorre com os países africanos que nos procuram para aprender com a nossa experiência”. Para o secretário, deve-se discutir um modelo de produção, de consumo, de comercialização, e começar a fazer uma diferenciação político-ideológica a partir desse modelo.
Reis ressaltou ainda a importância de que o debate no Litoral Sul considere as vocações locais. “Essa região tem uma responsabilidade grande, em função do seu potencial, vide a experiência do cacau com pequenos produtores, da verticalização da produção, a agregação de valor dos produtos, o que pode se combinar muito bem com a sustentabilidade ambiental e com o turismo rural”, disse.
Jerônimo Rodrigues, secretário de Desenvolvimento Rural (SDR), lembrou da importância de fazer esse debate na sociedade e nos meios de comunicação. “Não podemos sair dessa conferência de SAN sem discutir o tema da terra. O debate da reforma agrária tem que estar como problema de centro. Todos os países que passaram por uma reforma agrária tiveram um outro desenvolvimento. O latifúndio não nos ajuda, é retrógrado, reacionário, conservador, é injusto”, afirmou.
O secretário Jerônimo ratificou a importância de pensar caminhos para o desenvolvimento da agricultura familiar. “Ela não foi gerada na sua concepção para produzir alimentos para o mercado. Foi criada para a subsistência. Nós é que estamos criando isso, estamos reinventando a agricultura familiar para que ela possa ocupar outros espaços. Precisamos desse novo modelo de sociedade, onde a gente tenha o poder de controlar a produção de alimentos. E temos que discutir a segurança alimentar com outros povos irmãos, da América Latina, da África, que precisam de alimentos porque não construíram esse caminho”.