24/10/2016
Para avaliar o funcionamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado da Bahia (Consea) iniciou, na manhã dessa segunda-feira (24), a oficina participativa com os atores sociais que executam a política na Bahia. O evento, que segue até a quarta-feira (25), no auditório do Hotel Golden Park, na Pituba, reuniu gestores municipais, merendeiras, nutricionistas, integrantes do Conselho de Alimentação Escolar e representantes de organizações fornecedoras de alimentos para o PNAE.
De acordo com Carlos Eduardo Leite, membro do Consea-Ba, “o encontro vai permitir a realização de um diagnóstico sobre a realidade da execução do PNAE em todos os Territórios de Identidade, sob o olhar dos fornecedores, beneficiários e quem acompanha a execução do programa”. Segundo os organizadores, a expectativa é que as informações coletadas subsidiem a elaboração de propostas para a qualificação operacional e a ampliação do PNAE no estado.
Para a nutricionista Jaqueline Souza,responsável pelo acompanhamento nutricional nas escolas do município de Correntina, “a troca de experiência vai ajudar na melhoria na elaboração do cardápio prévio, escolha do produto de qualidade, identificação dos fornecedores em potencial, entre outras questões importantes para a boa execução do programa”. Jaqueline disse também que, há três anos, as escolas das zonas urbanas e rurais do município inseriram na alimentação escolar alimentos hortifrutigranjeiros, melhorando a saúde dos alunos. Como contribuição para o debate, a nutricionista trouxe o indicativo de que ainda é preciso inserir no cardápio frutas regionais, como cajuzinho dos gerais, manga, pequi e caju.
Quem também contribuiu para o debate foi o presidente da Associação de Pequenos Produtores e Apicultores da Fazenda Santarém, Antônio Barreto, que trouxe para o evento, além de alimentos elaborados com produtos da agricultura familiar, uma experiência de sucesso realizada no município de Casa Nova. Segundo o coordenador, a associação superou diversas dificuldades estruturais e conseguiu imprimir um ritmo de trabalho que atende, atualmente, 56 mil estudantes de 78 escolas, em dez municípios do Território do Sertão São Francisco.
“Além de promover uma alimentação saudável para esses alunos, ainda geramos empregos para 200 pessoas que trabalham na associação, sem falar da redução do êxodo rural no Sertão do São Francisco”, conta Barreto. “Fico emocionado em ver as crianças que carreguei no colo trabalhando com os pais no mesmo pedaço de chão”. Segundo o coordenador, a alimentação produzida pela associação é composta porbiscoitos de tapioca, sequilhos, mel de abelha, bolos de aipim, tapioca, macaxeira e milho, além dos produtos hortifrutigranjeiros, leite e os seus derivados.
Formação
A palestra de Lilian Ramos, coordenadora do Centro Colaborador em Alimentação Nutrição Escolar da Universidade Federal da Bahia (Ufba), que atua em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), foi voltada ao diagnóstico das condições de execução e operacionalização do PNAE nos municípios e escolas estaduais e trouxe para os participantes temas importantes para aboa execução do programa. Foram pontuadas questões sobre importância da regularidade no fornecimento da alimentação, formação da prestação de contas, legislação, processo do cardápio, compras de produtos, elaboração de plano de ação e outras temáticas.