01/06/2015
A paixão pelo futebol levou 10 meninas do time feminino do Centro Social Urbano (CSU) do Nordeste de Amaralina a visitar a música do programa NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia). Na sala de ensaios do Teatro Castro Alves, na tarde da última sexta-feira, 29 de maio, o professor e técnico do time, Ravier Rodrigues (28), explicou a relação entre música e futebol: “O futebol é como a música. Cada jogadora tem sua posição, tem seu papel. E fazem as jogadas como numa orquestra, cada uma no seu tempo, com a mesma harmonia e sintonia que deve haver entre os instrumentos”, disse, após assistirem ao ensaio da Orquestra Castro Alves (OCA), uma das formações orquestrais do NEOJIBA. O objetivo de integração social pela música, que orienta o programa NEOJIBA, se estende a outros projetos da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS), proporcionando “uma tarde diferente”, segundo o grupo convidado, que pela terceira vez assiste ao NEOJIBA.
A visita das garotas do Nordeste, dessa vez, foi para assistir a um ensaio aberto, momento articulado pela coordenadora do CSU Nordeste, Andreia Macedo, “madrinha” das 23 garotas que compõem o time de futebol feminino do CSU. “Além da parte esportiva, sempre estimulamos atividades culturais e de lazer”, relata o professor. Entre as jogadoras presentes, algumas fazem ou já fizeram aulas de instrumentos musicais no Nordeste de Amaralina, um bairro que é verdadeiro celeiro de arte e cultura em Salvador. No Colégio Estadual Carlos Correia de Menezes Santana, os alunos têm aula em turno integral e a música é disciplina obrigatória. Lá é realizado o projeto Estrelas Musicais, que nasceu na Associação Cultural Ibarra, em 2006, e ganhou reforço, em 2014, com a chegada do Núcleo de Prática Orquestral e Coral do Neojiba, que oferece, em parceria, cerca de 360 vagas para diversos instrumentos de corda e coral.
Uma das alunas do colégio, a meio de campo Camila Cantuário (14), logo deixou claro: “o futebol é a nossa verdadeira alegria”, disse, sendo apoiada em coro pelas colegas. Mas Camila se rendeu ao contra-baixo. “Eu achava que ia atrapalhar o futebol. Só que depois, quando fui fazendo as primeiras aulas, fui vendo que era algo diferente, algo novo, que poderia me dar futuro, e era divertido. Escolhi contra-baixo por que era um dos instrumentos mais interessantes, tanto pelo tamanho, como pelo jeito de tocar”, contou. Em outro projeto que houve no Nordeste, a atacante Juliana Coutinho (18), aprendeu clarineta e flauta e teve ainda aulas de dança e canto. Hoje, Juliana se dedica ao futebol pela tarde, faz supletivo à noite, com planos de estudar veterinária, e trabalha cuidando de duas crianças pela manhã. “É a terceira vez que venho ver o NEOJIBA. É interessante, é legal mesmo, olhar, aprender mais, ter uma experiência de um dia diferente”, disse. “A gente gosta da música e do futebol porque muita gente vê o Nordeste como uma favela, que só tem morte, tiro, bandido, mas não é nada disso. O Nordeste tem gente como a gente. Tem esporte, cultura, gente que estuda e trabalha”.