Capacitação aborda estratégias de acolhimento às pessoas em conflito com a lei em uso de substâncias psicoativas

25/05/2021
Cerca de 30 profissionais de Comunidades Terapêuticas do Sistema Bahia Viva, participaram nesta terça-feira (25), da capacitação com o tema “Estratégias de cuidado e acolhimento às pessoas em conflito com a lei em uso de substâncias psicoativas”, promovida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS). O curso acontece de forma virtual.

A atividade iniciou com uma dinâmica, conduzida pela assistente social e professora, Tamiz Lima Oliveira. Os participantes escreveram três palavras que representam o cuidado às pessoas que usam álcool e drogas em conflito com a lei. Dentre elas: cuidado, respeito, humanização e escuta, se destacaram. 

A partir dessa reflexão, o curso foi conduzido, com abordagens sobre como emerge o superencarceramento, e como pensar nos contextos, redução de danos e alternativas para garantir a dignidade humana, os direitos vitais e na redução das vulnerabilidades. 

A assistente social, advogada e supervisora do Programa Corra pro Abraço, que atua na vara de Audiências de Custódia, Daniele Rebouças, apresentou dados sobre a punição e questão social na contemporaneidade.

“A questão do superencarceramento emerge em um cenário do enfraquecimento da cultura do Estado de Bem-Estar-Social. No Brasil, continuamos em exponencial crescimento da população carcerária, ocupando a 3° posição mundial, e neste contexto, é necessário compreendermos o que é seletividade penal, que é um problema estrutural e inerente ao sistema penal, e a sua exposição deveria servir à elaboração de políticas públicas que justamente atentassem para a sua estruturalidade, reduzindo danos e superando a cultura punitivista”, destacou Rebouças. 

A psicóloga Paula Caldas reforçou a importância da escuta qualificada e do trabalho em rede na redução de danos e das vulnerabilidades.

“É necessário uma escuta qualificada, o respeito à diversidade e que repensemos nossas práticas, ter uma percepção sobre o contexto de vida das pessoas, e apontar de quais formas elas podem superar as situações de risco e suas vulnerabilidades. Portanto, o trabalho em rede é fundamental, para garantir que essas pessoas acessem as políticas públicas, e os serviços capazes de garantir a efetiva cidadania, além do respeito às suas complexidades. Nesse processo é importante o acolhimento, a formação de vínculo, e a elaboração de um plano de cuidado”, pontuou ela. 
 
A capacitação também contou com as colaborações da diretora de Prevenção e Redução de Danos da SJDHDS, Emanuelle Silva, e da advogada Paula Cristina Costa. 

As capacitações têm o objetivo de promover atualizações técnicas e teóricas da clínica de Álcool e outras Drogas e temáticas voltadas para a garantia dos Direitos Humanos.

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